Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 14/10/2021
A série americana ‘’The good doctor’’, tem como protagonista o jovem autista médico Shoun, que ao ser contratado por um Hospital renomado, enfrenta desafios decorrente do transtorno. Na trama, reflexões acerca do perpetuação do preconceito e a falta de inclusão podem ser relacionados à realidade brasileira, quando se trata dos desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Nesse sentido, é preciso entender suas causa e prováveis soluções.
A princípio, é possível perceber que a persistência da intolerância se deve a questões estruturais. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil possui cerca de 240 mil crianças com o Transtorno do Espectro Autista (TEA). No entanto, a falta de meios de conscientização e informação sobre essa causa perpetuam estereótipos preconceituosos dessa minoria na sociedade, como por exemplo, serem incapazes de estudar e exercer uma profissão. Analogamente, segundo a Teoria do Habitus elaborada pelo sociólogo francês Pierre Bourdieu, a sociedade possui padrões que são impostos, naturalizados e, posteriormente, reproduzido pelos indivíduos. Dessa forma, é coerente perceber que padrões sociais podem perpetuar o preconceito na sociedade.
Outrossim, vale ressaltar que essa situação é corroborada por fatores socioeconômicos. Isso ocorre, em grande parte, devido a inobservância estatal, uma vez que o governo nem sempre cobra das instituições de ensino uma interação social adequada e inclusiva. Nessa perspectiva, a socióloga Hannah Arenth, defendeu que pode-se considerar a diversidade como inerente à condição humana, de modo que os indivíduo deveriam estar habituados à conviver com o diferente. Nesse viés, é notório que a omissão do Governo em episódios de exclusão pode reproduzir problemas sociais, como a falta de inclusão de autistas.
Torna-se evidente, portanto, que os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil apresentam entraves que precisam ser revertidos. Logo, é necessário que o Ministério da Educação em parceria com a mídia, promova palestras e campanhas midiáticas, com especialistas no tema e através de relatos de pessoas que sofrem com TEA, de maneira a ratificar a importância da dispersão de culturas retrogradas na sociedade e promover conscientização sobre a temática. Ademais, o Ministério da Economia, em adição com instituições de ensino, por meio do redirecionamento de verbas, deve criar centros para especializar profissionais de diversas áreas de trabalho da sociedade, em especial professores, de modo a facilitar o acesso desse grupo ao estudo e mercado de trabalho. Com essas medidas, talvez, a realidade vivida por Shoun estejam distante da realidade brasileira.