Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 22/09/2021
A série norte-americana “O Bom Doutor”, retrata o cotidiano do Doutor Shaun - médico portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) - que enfrenta diversas dificuldades advindas da convivência com a sociedade. Fora da ficção, é notório os desafios encontrados por pessoas portadoras do autismo para se sentirem incluídos na população. Nesse sentido, a carência de campanhas e a falta de alteridade dos indivíduos acabam atrasando o combate dessa mazela social no Brasil.
Nesse cenário, a negligência governamental quanto ao direcionamento de campanhas para inclusão dos autistas, dificulta suprimir esse imbróglio. Nessa perspectiva, o filósofo grego Aristóteles defendia que o governo deve promover a justiça social, isto é, o Estado é responsável por garantir o bem-estar de todos. No entanto, esse fundamento aristotélico permanece no âmbito da metafísica e, por conseguinte, não é praticado. Sendo assim, prova disso são os inúmeros casos de autistas que não conseguem se sentirem acolhidos devido à falta de conhecimento da população sobre o assunto, ou, até mesmo, não saber o que é uma pessoa portadora desse transtorno. Dessa maneira, nota-se a ineficácia das gestões governamentais em relação à saúde, as quais deveriam assegurar os direitos previstos pela Constituição Federal de 1988.
Ademais, a escassez de alteridade - valor ético que adota a tolerância como medida para colocar-se no lugar do outro -, mostra a ignorância da sociedade e justifica as dificuldades na inclusão de pessoas com autismo. Nesse contexto, segundo o filósofo Nicolau Maquiavel, “Os preconceitos têm mais raízes do que os princípios”. De maneira análoga, seu pensamento está correto, pois a visão estereotipada está enraizada na sociedade e, muitas vezes, analogias de invalidez associadas às pessoas portadoras do autismo são efetuadas. Sob essa ótica, percebe-se que muitos não conseguem conviver com as diferenças e por conta da falta de empatia dessas pessoas, aumentam os números de exclusão dos grupos desse transtorno.
Portanto, medidas devem ser tomadas para impulsionar a inclusão de autistas no Brasil. Então, a Organização Mundial da Saúde (OMS), por meio de verbas governamentais, deve criar palestras públicas, totalmente gratuitas, para que todos possam participar. Esses eventos podem ser realizados por psicólogos com o objetivo de explicar as melhores maneiras de interagir com um autista, além do governo investir em campanhas sobre essa temática, a fim de reduzir a exclusão desse grupo. Assim, todos viveriam em uma nação mais empática e, diferente da série “O Bom Doutor”, que ninguém mais precise passar pelos desafios de Shaun.