Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 15/09/2021
“O dever é o que se espera dos outros, não o que se espera de si mesmo”. Utilizando a citação do dramaturgo irlandês Oscar Wilde como base para análise da sociedade brasileira, torna-se evidente a negligência em torno do autismo, justificada com a falta de obrigação social de incluir pessoas com Transtorno do Espectro Autista nas mais variadas esferas sociais. Apesar dos direitos dessas pessoas estarem garantidos na legislação, é clara a negligência governamental e social em relação ao assunto.
Em primeiro plano, cabe ressaltar como a omissão governamental afeta diretamente a parcela social com autismo. A falta de investimentos e pesquisas na área fazem com que o diagnóstico se configure como impreciso e por conseguinte dificulta a plena garantia de seus direitos. Embora os direitos supracitados estejam em lei desde 2012, pela lei Berenice Piana, uma sociedade que os respeite integralmente ainda é uma utopia.
Outrossim, a omissão social também contribui para a dificuldade de inclusão social. A falta de informações divulgadas sobre o transtorno e a falta de preparo das instituições escolares causam a exclusão social e escolar desses indivíduos. A cegueira moral, conceito do sociologo polonês Zygmunt Bauman, pode ser usada para explicar essa indiferença com essa parte social, por apresentar como em tempos de modernidade líquida a indiferença ao proximo se torna habitual e como a individualidade está presente de forma que a condição de outra pessoa se torna indiferente.
Infere-se, portanto, que os desafios da inclusão de pessoas com autismo está intrinsecamente ligado a negligência política e social. Com vistas a aumentar essa inclusão e a garantia da informação no Brasil, o Ministério da Cidadania e o Ministério dos Direitos Humanos, em parceria com ONG’s e movimentos sociais, deve criar políticas públicas para a integra inserção economica, política, social, midiatica e cultural dessa parcela da sociedade. Além disso, é imprescindível fazer campanhas informativas divulgadas em escolas e por meio dos principais meios de comunicação, como televisão e redes sociais, bem como a realização de palestras e treinamentos nas escolas a serem oferecidos para pais e funcionários.