Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 13/09/2021

“Corra Forrest, Corra!”, essa frase, dita no filme “Forrest Gump”, marca o momento em que o menino com traços autistas consegue fugir de colegas que cometiam bullying contra ele. Assim como Forrest, no Brasil, milhares de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista (TEA) sofrem tanto com o preconceito - causado pela falta de conhecimento da sociedade - quanto com a dificuldade de desenvolver suas habilidades sociais - reflexo da negligência do Estado. Logo, urge a necessidade de medidas para a inclusão de autistas no país, de maneira que os mesmos se sintam pertencentes à comunidade em meio às pessoas neuro típicas (sem autismo). A princípio, é inegável a ausência de conhecimentos sobre o autismo na sociedade brasileira, fator esse que contribui para que as dificuldades de inclusão persistam. Contudo, em meio a um mundo globalizado e repleto de ferramentas de pesquisa, a passividade dos indivíduos é marcante e o preconceito de que autistas são limitados é um exemplo disso, já que é possível quebrá-lo com apenas alguns cliques na internet. Sob essa óptica, no Esclarecimento Kantiano, o filósofo Immanuel Kant, conceitua essa passividade como menoridade e afirma que, para atingir a maioridade, o indivíduo deve ousar saber (“sapare aude!”) e tornar-se ativo. Assim, fica claro que se a população atingir a maioridade, a inclusão ocorrerá de forma espontânea e natural. Além disso, deve-se atentar à ausência de apoio governamental aos portadores do TEA e às famílias, visto que, para melhorar suas habilidades sociais e alcançar seu pleno potencial, é essencial que ambos tenham acompanhamento e orientação de profissionais, fator quase inexistente na saúde pública brasileira. A respeito disso, o autista que não tem seus direitos à saúde e ao acompanhamento multiprofissional cumpridos, pode ser definido como “Cidadão de Papel”, conceito cunhado por Gilberto Dimenstein, em referência às pessoas que têm seus direitos prescritos por lei, porém não os usufruem. Dessa forma, é evidente que ao ter o acompanhamento e o apoio especializado, os portadores de autismo desenvolverão suas habilidades sociais de maneira que, inevitavelmente, sejam incluídos na sociedade. Portanto, para que o Brasil consolide e perpetue a inclusão de autistas, é necessário que o Governo Federal, junto à sociedade, promova a divulgação e a expansão de conhecimentos à respeito do autismo - por meio das mídias sociais e televisivas -, a fim de que a população compreenda que o TEA não é uma doença, mas somente uma forma diferente de ser; ademais, é preciso que o Ministério da Saúde forneça o atendimento multiprofissional aos poradores e às famílias. Dessa maneira, preconceitos, desinformações e desamparos serão substituídos por “Esclarecimentos” e cidadãos não só “de papel”, que incluirão cada vez mais “Forrests” no BRASIL.