Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 09/09/2021

A Revolução Francesa foi responsável por levar ao mundo os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade. Desde lá, de fato, há uma busca pela universalização dos direitos civis e sociais, promovida pela Revolução. Entretanto, é notório a sociedade brasileira ainda se mostra incapaz de incluir os autistas no meio social de forma digna, o que mostra um problema desencadeado, muitas vezes, pelo meio familiar e até mesmo pelo governo.

Em primeiro plano, a falta de aceitação familiar em relação àquele com Trastorno do Espectro Autista inviabiliza o tratamento adequado. Dessa maneira, a obra Casa-Grande e Senzala do sociológo Gilberto Freyre retrata um Brasil que foi contruído a partir de lar burguês, que repudiava qualquer forma de deficiência que fragilizasse o modelo familiar. Assim, a cultura da família perfeita permanece enraizada na sociedade desde a época da Casa-Grande e Senzala, já que ainda não há uma aceitação do autismo, o que acarreta no atraso -ou até mesmo abstenção- acerca do acompanhamento médico desse paciente. Dessa forma, a perpetuação do lar burguês - denunciado por Freyre- afeta na inclusão desse indivíduo e tal ato deve ser repudiado pela sociedade brasileira .

Ademais, as autoridades públicas se mostram ineficazes na inserção do autismo. Nesse contexto, o sociólogo Zygmunt Bauman desenvolveu o conceito de “Instituição Zumbi”, segundo o qual algumas instituições perderam a sua função social, mas mantiveram a sua forma. Isso pode ser ilustrado pelo SUS, uma vez que se encaixa na teoria de Bauman na medida em que é ineficiente na assistência aos autistas, o que gera consequências irreversíveis ao sistema cognitivo àqueles relacionados. Desse modo, enquanto houver omissão do poder público, o Brasil continuará nadando contra à abrangência de acessibilidade aos autistas.

Em suma, são necessárias medidas que supram à integração dessa parcela da população. Portanto, o Ministério da Saúde deve, com ugência, possibilitar o acompanhamento, por meio de assistentes sociais que auxiliem os autistas desde a infância, para que seja garantido o desenvolvimento de cognição. Por fim,  as escolas e as famílias, como agentes educadores, devem em conjunto atentar-se aos comportamentos e estimular a criança para que desde cedo o autismo deixe de ser um obstáculo no país.