Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 08/09/2021
Em um dos episódios da série “Tudo bem não ser normal”, o personagem autista Sang Tae sofre com o preconceito e discriminação de pais de uma criança, em um evento infantil de livros, que não compreendiam sua condição de saúde. Embora ficcional, pode-se fazer um paralelo de tal obra cinematográfica com a realidade dos autistas no Brasil, uma vez que esse também enfrentam desafios para se incluirem, verdadeiramente, na esfera social vigente. Nesse contexto, é necessário analisar que esse problema ocorre devido a lacunas estatais e a falta de discussão pública sobre a questão.
Cabe analisar, a princípio, que um dos obstáculos à inclusão de pessoas com autismo no Brasil está centrado em déficits estatais. Sob esse viés, indo de encontro a Constituição federal de 1988, que prega, como um dos deveres do Estado, a garantia do bem-estar e qualidade de vida de todos os cidadão, não existem políticas públicas efetivas, no país, voltadas a inserção de indivíduos com espectro autista, em sociedade. Nessa perspectiva, pode-se destacar lacunas educacionais - existêntes graças a falta de projetos de ensino especializado e de preparo das escolas e dos profissionais da educação - e trabalhistas - visto a inocorrência de projetos de preparo desse grupo para o mercado de trabalho.
Outrossim, a falta de discussão em sociedade sobre o tema também é um fator que impossibilita a inclusão plenas dos autistas no país. Nessa ótica, isso explica-se uma vez que, segundo o sociólogo Locke, os indivíduos são moldados por influências externas adquiridas pelos preceitos trabalhados em sociedade. Dessa forma, sem a conversação sobre aspectos relacionados a população autista - como a importância de garantir o respeito e de lutar contra preconceitos e estigmatizações - a incorporação desses esbarra em barreiras criadas pela falta de conhecimento, assim como ocorrido com Sang Tae, adequado e direcionado.
Portanto, tendo em mente as falhas estatais e de discussão social, urge que o governo federal elabore o projeto “Autismo em sociedade”, voltado a acabar com os impasses enfrentados atualmente. Para tanto, isso pode ser realizado por meio do redirecionamento de verbas, arrecadadas pela Receita Federal, para investimentos em programas de inserção - como cursos profissionalizandes e escolas especializadas - e em campanhas, em redes sociais e em mídias televisivas, voltadas a trabalhar com a população questões direcionadas ao autismo - desde a desmistificação de preceitos errôneos a atos discriminatórios. Nesse sentido, o intuito de tal ação é garantir a inclusão plena dessa parcela na sociedade e evitar entraves como os vividos por Tae.