Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/09/2021

Segundo Zygmunt Bauman, em tempos de modernidade líquida, a indiferença ao próximo é habitual, termo cunhado como ‘’Cegueira Moral’’. Similarmente, encontra-se problemas relacionados ao descaso quanto a inclusão de pessoas com autismo na sociedade. Esse cenário é fruto tanto da desinformação quanto a TEA (Transtorno do Espectro Autista), quanto também do pensamento da incapacidade do sujeito com o espectro. Com base no supracitado, torna-se evidente a discussão desses aspectos, para que assim ocorra a normalidade do autismo na população.

Primeiramente, cabe abordar a ignorância, fruto da falta de pesquisas, entre as pessoas que tornam a inclusão difícil. De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em 2017, o autismo afeta 1 a cada 160 crianças no mundo. Paralelamente, a desinformação que, por sua vez, gera a ignorância, contribui para a exclusão desses indivíduos, dificultando a vida dessas pessoas na sociedade. Dessa forma, sem conhecer bem sobre a frequência da condição, e seus reais sintomas, as pessoas com a TEA são marginalizados na sociedade. Sendo assim, se tornou essencial, nos últimos anos, que medidas sejam tomadas para a inserção dessas pessoas, visando um melhor rumo para a sociedade.

Ademais, outro fator a salientar é a persistente visão estigmatizada e preconceituosa de que o sujeito autista não consegue se comportar sozinho em sociedade. Na série Atypical, Elsa, a mãe de Sam, é superprotetora e não consegue aceitar o fato de seu filho estar se empenhando para conquistar a independência. Na vida real, essa situação acomete muitos autistas que buscam lidar com sua própria vida sem a interferência de terceiros. Além disso, tal atitude contribui tanto para a persistência do pensamento de insuficiência na mente do autista, quanto para a continuação do preconceito acerca de que esses indivíduos precisam de ajudar a todo momento. Logo, é mister, providenciar debates em escolas acerca da independência dos indivíduos com TEA e sua capacidade de realizar atividades em sociedade.

Torna-se evidente, portanto, que os autistas são acometidos pelos desafios acerca da falta de inclusão em sociedade, em virtude da desinformação das pessoas. Assim, cabe ao Governo Federal, através de investimentos no Ministério da Educação, incentivar debates em escolas, com profissionais da saúde e indivíduos com TEA, acerca de como é realmente o autismo e a vida das pessoas que possuem a condição. Além disso, cabe ao Ministério da Saúde, através de propagandas, normalizar o autismo e a independência dos autistas, visando uma normalidade da situação. Dessa forma, será possível construir uma sociedade com autistas incluídos e com sua condição normalizada.