Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/08/2021

Em meados do século XX, o escritor austríaco Stefan Zweig mudou-se para o Brasil devido à perseguição nazista na Europa. Bem recebido, Zweig escreveu um livro ufanista cujo o título é até hoje repetido: “Brasil, país do futuro “. Entretanto, ao observar os desafios da inclusão de pessoas com autismo na nação, verifica-se que essa profecia é constatada na teoria, e não desejavelmente na prática. Em verdade, seja pelo pouco investimento na educação, seja pela escassez de debates, há urgência em desconstruir esse revés.

Basilarmente, é crucial pontuar que o pouco investimento na educação deriva da baixa atuação governamental, no que compete à criação de mecanismos que coíbam tal ocorrência. De acordo com Thomas Hobbes, o Estado é responsável por garantir o bem-estar da população, contudo, isso não ocorre no Brasil. Devido à falta de ação das autoridades, há muitos professores desqualificados que não estão prontos para receber crianças autistas, resultando numa maior desigualdade, e ruptura dos direitos sociais. Dessa forma, faz-se necessária a reformulação dessa postura estatal.

Outrossim, é imperativo ressaltar a escassez de debates como promotora do problema. Consoante a Instituição Ipsos Mori, em 2017, o Brasil foi considerado o segundo país mais alienado do mundo. De fato, a falta de conhecimento da população sobre os desafios da inclusão de autistas assusta, visto que, os sujeitos que apresentam o transtorno crescem excluídos e deprimidos, podendo levá-los ao suicídio, que é mais propenso entre os que sofrem o distúrbio. Destarte, é mister que a informação sobre o tema seja popularizada.

É evidente, portanto, a existência de entraves para garantir a solidificação de políticas públicas que visem à construção de um mundo melhor. Dessarte, com o intuito de mitigar à rejeição de pessoas com autismo, o Ministério de Educação, deve desenvolver discussões por meio de palestras nas escolas, com o direcionamento de profissionais da área, tendo como finalidade, tanto o desenvolvimentodo do saber acerca do assunto, quanto da empatia. Somente assim, atenuar-se-á, em médio e longo prazo, o impacto nocivo do empecilho, e a coletividade alcançará a profecia de Zweig.