Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 29/09/2021
Desde o surgimento do movimento Iluminista, na França, entende-se que uma sociedade só progride quando o cidadão se mobiliza com o problema do outro. Entretando, quando se observa a exclusão e discriminação contra pessoas com autismo no Brasil, esse pensamento é ignorado. Dessa forma, os desafios enfrentados por indivíduos com essa deficiência têm sido intensificados no país, deixando o preconceito cada vez mais explícito.Para mudança desse cenário, é preciso combater a negligência governamental e a falta de sensibilização por parte da sociedade.
Em primeiro lugar, é importante frisar que o descaso do Governo em garantir acessibilidade aos autista afeta significativamente na qualidade de vida dos mesmos. De acordo com o conceito “Instituição Zumbi” do escritor Polonês Zygmunt Bauman, mesmo que existam instituições asseguradoras de direitos,elas não cumprem sua função social. Nesse sentido, o Estado torna-se um agente passivo na garantia de igualdade e alcance de oportunidades para essa parcela tão vulnerável da população, impedindo a evolução pessoal e interpessoal dos indivíduos que já possuem grandes desafios individualmente, e precisar lidar com falta de serviços básicos fomenta o aumento da desigualdade social.
Além disso, a falta de empatia por parte da sociedade -geralmente ocasionada pela desinformação- precisa ser combatida. Segundo o ex-presidente Nelson Mandela, a educação é a forma mais poderosa de transformar uma sociedade. Sob esse viés, as escolas possuem papel fundamental em mostrar como lidar com os autistas e gerar uma grande rede de apoio para os mesmos através da educação. Nessa condição, o preconceito e a discriminação tendem a diminuir, melhorando a qualidade de vida daqueles que precisam de acolhimento. Assim, mesmo que o corpo social pussua em suas mãos o poder grandioso de acabar com a segregação dos autistas, a falta de ações faz com que muitos fiquem excluídos socialmente e injustamente.
Portanto, é notório que medidas precisam ser tomadas para mudar esse cenário de desamparo aos que sofrem desse transtorno. Logo, cabe ao Estado -principal órgão provedor de garantia dos direitos- promover tratamentos e debates sobre o assunto de forma gratuita em escolas e faculdades por meio de investimentos na área da saúde e educação com o intuito de garantir informações relevantes sobre o autismo aos cidadãos. Além disso, o Governo deve criar, dentro dos estabelecimentos públicos, locais adaptados para os autistas para que estes possam estar mais perto do acesso de todos os seus direitos. Dessa forma, o Brasil estará mais próximo da efetivação dos ideais iluministas e progredindo rumo ao desenvolvimento social e a igualdade.