Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/08/2021

“Alunos com deficiência atrapalham os demais.” A frase do ministro da educação, Milton Ribeiro, é uma demonstração evidente do odioso e ultrapassado preconceito em relação às crianças com algum déficit físico ou intelectual. Essa questão da inclusão de pessoas portadoras de necessidades especiais, como o autismo, apresenta um quadro preocupante, tanto por causa do desconhecimento da sociedade sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), quanto pelo descaso do Estado, além da falta de qualificação adequada dos profissionais da educação.

Em primeiro lugar, a falta de conhecimento acerca do TEA constitui um dos principais entraves para inclusão de tais indivíduos na sociedade. E um dos grandes desafios que pais e familiares enfrentam é o chamado “Preconceito Reverso” - as crianças não trazem sinais na aparência, o que dá a impressão de não serem portadoras de nenhum tipo de necessidade, gerando desconfiança nas pessoas que a cercam. Segundo Schopenhauer, filósofo alemão, “os limites do campo da visão de uma pessoa determinam seu entendimento a respeito do mundo que o cerca”. Nesse sentido, a incompreensão da condição autista delimita a integração desses sujeitos, uma vez que tudo que é desconhecido causa medo e alienação. Portanto, é preciso criar mecanismos que objetivem a informação do corpo social, para possibilitar a inclusão desses cidadãos.

Outrossim, a falta de atenção dos estados e ministérios é outro entrave para a o desenvolvimento pleno dos autistas. De acordo com Aristóteles, “o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a sua realização pessoal e busca pela felicidade”. Nesse aspecto, é importante a inclusão de pessoas com TEA na sociedade. Tal impedimento se deve a ineficiência das instituições de ensino em proporcionar uma inclusão adequada, o que implicará em um desenvolvimento inadequado. Tendo isso em vista, os portadores do transtorno negligenciados pelo sistema educacional brasileiro, enfrentarão situações injustas no âmbito social e profissional, já que não têm a preparação exigida.

Portanto, a inclusão de pessoas com TEA no país representa um desafio. Nesse viés, o Ministério da Educação deve criar campanhas, e divulga-las através das redes sociais, para conscientização da população sobre a importância da integração desses cidadãos na sociedade e o respeito às suas diferenças. Bem como, como o auxílio dos profissionais da área da saúde, deve promover a qualificação dos profissionais da educação para que haja conhecimento sobre os métodos que devem ser utilizados, visando o desenvolvimento e adaptação às necessidades especiais do autista. Assim, no futuro, a frase do ministro talvez mude para “Educar é Incluir.”