Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 24/08/2021

A série “Atypical” retrata a história de Sam,um adolscente autista ,que enfrenta cotidianamente preconceito no ambiente estudantil,devido a seu transtorno neurológico. Fora da obra cinematográfica, no entanto, a falta de inclusão de pessoas autistas, hodiernamente, configura-se como um desafio para a sociedade brasileira. Dessa maneira,estando entre os fatores responsáveis pela problemática não só o preconceito ,mas também a insuficiência de medidas de integração adotadas pelo Governo.

Em primeira análise, é indubitável que a reverberação da intolerância, principalmente no ambiente domiciliar, esteja entre um dos fatores que dificultam a atenuação desse problema. Essa atitude vai ao encontro do pensamento de Durkheim, sociólogo francês, ao afirmar por meio do “fato social” que o indivíduo é reflexo do meio a qual está inserido. Nessa perspectiva, a afirmação do pensador se encaixa perfeitamente no impasse, tendo em vista que caso crianças, que estão em fase de desenvolvimento psicológico, convivam em um ambiente em que a diversidade não é aceita e pessoas com TEA(transtornos do espectro autista) são vistas como indivíduos “anormais”, esse público infantil, muito provavelmente, irá garantir a perpetuação desses atos preconceituosos na sociedade, já que no período de socialização elas aprendem pela mimetização. Isso, por sua vez,mostra-se alarmante, pois quase dois milhões de brasileiros, considerados autistas segundo a Organização Mundial da Saúde,permanecerão segregados,caso haja a continuidade dessa cultura de exclusão.

Em segunda análise, é imperioso destacar a incúria governamental como um dos percussores dessa triste conjuntura. Com efeito, segundo Gilberto Dimenstein, jornalista brasileiro, embora as leis sejam garantidas na legislação, na prática elas não ocorrem, já que são subtraídas pelo Estado. Sob esse viés, seguindo o pensamento do intelectual, mesmo que a lei Berenice Piana, aprovada em 2012, assegure os direitos, como igualdade e assistência, à pessoas autistas tal realidade não é reverberada, já que cotidianamente esses indivíduos são ignoradas pelas políticas públicas. Isso, pode ser percepitível, por exemplo, nas escolas públicas do país, que muitas vezes ,não possuem acompanhantes terapêuticos.

Destarte, medidas são necessárias para a resolução do impasse. Logo,cabe ao Ministério da Educação assegurar nas escolas o respeito para com as pessoas autistas, por meio da confecção de cartilhas que demonstrem ações éticas e mediante a inclusão de alunos autistas nas salas, com o fito de que através do convívio, o preconceito, que por vezes é iniciado no convívio familiar, possa ser revertido. Outrossim, é dever do Ministério da Cidadania prezar pelo bem-estar de indivíduos com TEA, podendo promover mais políticas inclusivas e campanhas. Como efeito social, haverá cidadãos que prezam pelo respeito, fazendo com que casos de exclusão, como vivenciados por Sam, permaneçam apenas na ficção.