Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 12/08/2021

O seriado “Atypical” da Netflix, conta a história de Sam, um garoto autista enfrentando questões da sua adolescencia no colégio e faculdade. No filme, é possível perceber em diversos momentos, que existe acessibilidade e inclusão para o jovem residente dos Estados Unidos. Entretanto, ao se tratar da realidade brasileira a situação é diferente, pois os portadores do Transtorno do Espectro Autista (TEA) no país precisam lidar com inúmeros desafios para terem seus direitos de inclusão garantidos, condição que persiste devido não somente à falta de investimentos, mas também por conta do silenciamento em torno do assunto.

Primordialmente, é importante destacar a falha nos investimentos financeiros como impedimento na integração dos portadores da síndrome. De acordo com dados recentes da Fundação Getúlio Vargas, as taxas de investimento, tanto na área pública quanto privada, estão em seu menor nível em 50 anos. Em vista disso, é possível destacar que essa lacuna afeta as variadas instituições do país, que carecem de melhorias, entre elas, as áreas de educação e saúde voltadas às pessoas portadoras de disturbios, que certamente necessitam de uma atenção diferenciada para se sentirem incluídas. Portanto, por conta da baixa aplicação voltada para esse público, as pessoas com autismo sofrem com essa falta.

Ademais, cabe ressaltar a falta de debate e o silenciamento diante do tema como desafio para a devida inserção dos autistas no meio social. Consoante a isso, o filósofo Jürgen Habermas defende que o uso da linguagem é uma verdadeira forma de ação. Assim, esse método pode trazer diversos benefícios para a população, garantindo direitos e deveres essenciais para um bem-estar pleno no país. Contudo, essa ferramenta não tem sido utilizada de maneira efetiva para assegurar a integração das pessoas portadoras de TEA, pois estas continuam silenciadas e oprimidas em meio a uma infinidade de situações cotidianas, como é o caso do constante barulho de fogos, que os perturbam gravemente. Dessa forma, a falta de medidas e debates sobre a temática intensifica as dificuldades vivenciadas por eles.

Sendo assim, é indispensável a adoção de medidas que assegurem a resolução do problema. Logo, o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde devem se mobilizar para a criação e a execução de projetos de inclusão e maior acessibilidade. Essas medidas devem ser realizadas por meio de maior direcionamento de verbas para as instituições com foco em transtornos e síndromes, bem como a formação e contratação de profissionais especialistas em TEA. Além disso, devem ser criadas propagandas e publicações sobre o tema e como a população pode ser mais empática com os autistas, a fim de proporcionar acolhimento e sentimento de inclusão para todos os cidadãos brasileiros.