Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/08/2021
Na série The Good Doctor, Shaun Murphy é um médico com autismo contratado pelo hospital com a promessa de que ele seria perfeito, não apresentaria erros e se destacaria frente aos outros. Tal pressão sob o residente não era verificada sobre seus colegas, muito pelo contrário, era exigido de Shaun uma perfeição exacerbada, logo, mesmo incluído ele não era tratado como igual. Nesse cenário fica evidente que os desafios para a inclusão de pessoas com autismo vão muito além da exclusão deles, com ênfase no Brasil, esses obstáculos estão centrados na falta de conhecimento e estigmas sobre o autismo.
Em primeiro plano, ao analisar que a síndrome só foi adicionada a Classificação Internacional de Doenças da OMS em 1993, menos de três décadas, vê-se o quanto é difícil o diagnóstico- por ser muito recente há pouca literatura médica disponível. Com isso, ao fazer um paralelo com a população brasileira como um todo: se até o conhecimento técnico é pequeno, para a comunidade leiga o autismo é um mito, cheio de estigmas. Sendo assim, por causa da mínima documentação, tanto médica como da realidade de pessoas com autismo, os desafios de inclusão são grandes- sem saber das necessidades deles, não tem como incluir.
Ademais, ainda seguindo a série The Good Doctor, pode-se observar que, além da falta de conhecimento, Shaun também tinha o obstáculo de ter que provar constantemente sua autonomia. Isso porque, refletindo para a vida real, criou-se um estigma que pessoas no espectro são dependentes. Em outras palavras, indivíduos que fogem da normalidade do convívio social devem ter tutores que os ensinem a agir conforme a dança imposta, fazendo com que eles sejam obrigados a seguir um ritmo que não é o normal para eles. Entretanto, essa pressão social impede que pessoas com autismo possam viver suas vidas de forma autônoma, afinal a síndrome altera apenas o estímulo social recebido por eles, não sendo necessária a ajuda constante, como é pregado pelo estigma. Em suma, esse preconceito, que obriga indivíduos fora do padrão seguirem conforme a música imposta, aumenta os obstáculos para a inclusão no Brasil, porque a sociedade não aceita o normal deles.
Portanto, é evidente que os desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil existem e devem ser ultrapassados. Para isso, o Ministério da Educação deve criar espaços para crianças dentro e fora do espectro interagirem, por meio de brincadeiras e atividades, como contação de histórias que promovam o tema da inclusão, com a finalidade de ensinar para as pessoas, desde pequenas, que a síndrome existe e tem suas diferenças na convivência social, mas que os indivíduos com autismo são iguais a eles, precisando da inclusão para viverem uma vida dentro do normal- deles.