Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 21/07/2021

No mundo das histórias em quadrinhos da Turma da Mônica, Mauricio De Sousa surpreendeu ao apresentar para o público o personagem André, um garoto autista, na edição “Um amiguinho diferente’’. Embora a ficção seja destinada para as crianças, ela estabelece uma ponte com o cenário brasileiro, visto que pessoas autistas buscam pela sua inclusão na sociedade. Logo, observa-se que essa problemática é decorrente do silenciamento sobre o assunto, que pode acarretar em um preconceito social.

Primeiramente, é notório que ao silenciar a temática, não há debate para compreendê-la. Nesse contexto, o filósofo Jurgen Habermas aborda sua teoria da razão comunicativa, explicando que a linguagem ( em sua tese, o diálogo) é utilizada com o intuito de alcançar o entendimento não coagido sobre algo. A título de exemplo, percebe-se uma omissão da comunidade no que se refere às conversações acerca da inclusão social das pessoas autistas. Deste modo, esse panorama se torna mais comum, uma vez que, ao omitir a temática, a população não compreende a adversidade, minimizando a busca por soluções que iriam incluir o grupo no tecido social.

Por conseguinte, as pessoas autistas se encontram mais vulneráveis ao preconceito social em relação à questão sobre a introdução dos membros do grupo na sociedade. Nessa perspectiva, o seriado americano “The Good Doctor” abrange essa resultante, pois Shaun Murphy, jovem médico e autista, inicialmente sofre com a repulsão de seus colegas de trabalho pelos seus comportamentos diferentes dos demais, e por isso ele dificilmente conseguia oportunidades de mostrar suas habilidades médicas. Com isto, à medida que essas pessoas sofrem rejeição e são excluídas, a inserção desse grupo nas atividades sociais é dificultada, o que torna essa consequência outro obstáculo para solucionar o problema.

Portanto, para promover a inclusão de pessoas autistas no Brasil, as mídias digitais e televisivas - em parceria com o Ministério da Saúde - devem propagar, por meio de seus veículos de comunicação, campanhas explicativas sobre o Transtorno do Espectro Autista, auxiliando na identificação de alguém portador desse desarranjo e como ajudá-lo no corpo da sociedade, para que a população compreenda e esteja informada sobre o assunto, a fim de promover a conscientização e diminuição do preconceito e, finalmente, incluir esse grupo. Dessa forma, haverá uma mudança na esfera societária brasileira.