Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 19/07/2021

Ulisses de Guimarães - ex-deputado e membro da Assembleia Constituinte - ao promulgar a Constituição Federal de 1988, que está em vigor até hoje, proferiu um célebre discurso com a promessa de tornar a Carta Magna voz da sociedade rumo à mudança. Todavia, no que diz respeito aos desafios encontradados na inclusão de pessoas com autismo no Brasil, vê-se que tais cidadãos ainda enfrentam inúmeras dificuldades. Nesse sentido, observa-se um delicado problema, que tem como causas a ineficácia presente nas políticas públicas e o silenciamento dessas vítimas sociais como pilares da chaga.

Dessa forma, em primeira análise, vale ressaltar a ausência de ações governamentais como promotora do problema. De acordo com Maquiavel, em seu livro “O Príncipe”, para se manter no poder, os governantes devem operar em busca do bem universal. No entanto, de maneira análoga, percebe-se que no território nacional, essa é uma realidade distante, já que o Estado, mesmo sendo responsável por promover meios que favoreçam a inclusão dos autistas em todos os âmbitos sociais, não cumpre seu devido papel, fazendo com que essas pessoas continuem tendo suas vidas prejudicadas. Dessa maneira, é notória a precisão da articulação de orgãos governamentais para assistir a população contra tal mazela social.

Outrossim, a carência de debates que elucidem a população sobre o espectro da vida autista, só dificulta a resolução da problemática. Consoante ao pensamento de Djalma Ribeiro, é preciso tirar uma situação da invisibilidade para que soluções sejam promovidas. Porém, pouco se fala sobre essa doença que acomete a vida de milhões de brasileiros e que em sua grande maioria, nem diagnóstico médico possuem, fazendo com que a deficiência seja invisível aos olhos da população brasileira. Destarte, é imprescindível uma intervenção imediata, a fim de assegurar uma cidadania plena ao corpo social.

Portanto, é indubitável intervir sobre o problema. O Poder Público deve garantir que todos os direitos assegurados às pessoas com autismo estejam em vigor nas regiões de todo o país, por meio do desenvolvimento de pesquisas feitas regularmente para levantamento de dados, com o objetivo de promover maior controle e por conseguinte, melhorias no tratamento da doença. Tal iniciativa, deve contar com apoio da divulgação midiática, com a finalidade de elucidar o maior número de pessoas possíveis e incentivar - caso a família suspeite de algo - a busca pelo devido tratamento. Dessa maneira, a sociedade caminhará próxima dos ideais da Carta Magna, rumo à mudança.