Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 03/07/2021
O dia 2 de abril foi instituído pela ONU como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo, com a intenção de promover campanhas de inclusão, informação e combate à exclusão das pessoas com esse transtorno. No entanto, consiste em grave problema social os baixos índices de inclusão dos autistas na sociedade brasileira, o que urge analisar as origens da discriminação, assim como a deficitária política estatal que vise garantir o bem-estar social desse grupo marginalizado.
Em primeiro plano, o preconceito inviabiliza a socialização dos indivíduos com Transtorno do Espectro Autista - TEA. Nesse sentido, a ativista ambiental sueca Greta Thunberg se destaca na contemporaneidade por sua característica especial: o Asperger, uma forma de autismo. Seu relato acerca da inabilidade social na lide do problema consiste grave problema, pois a sociedade, seja por ignorância, seja por maldade, é despreparada para se relacionar com indivíduos autistas, o que produz exclusão social, desinformação e sofrimento, não só em Greta como em todo o tecido social. Dessa forma, é mister que se fomente campanhas de informação das características do transtorno para que todos estejam mais bem preparados no combate ao preconceito.
Ademais, o Estado é ineficiente na promoção de campanhas de inclusão da população com TEA. Sobre isso, John Locke – pai do liberalismo – declarou que existe um contrato social entre a população e o governo: o primeiro confia nas autoridades a garantia dos seus direitos naturais, enquanto o último tem a obrigação de lhe garantir vida, liberdade e propriedade. Verifica-se, portanto, que fere sobretudo a dignidade humana a ineficiência do poder estatal em garantir a inserção de pessoas com características autistas, seja por falta de diagnóstico adequado, seja por desinformação. Cita-se, assim, escolas que rejeitam alunos com essa característica, professores que não possuem formação inclusiva, pais que sofrem sob o abandono das autoridades: o ciclo do preconceito se perpetua e fragiliza a população que confia às autoridades seus direitos naturais.
É urgente, portanto, que Estado e sociedade se unam para a inclusão social das pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Para que isso ocorra, o Ministério da Educação deve criar campanhas nas grandes mídias sociais, bem como nos canais televisivos, de fomento à inclusão dos autistas, bem como de informação das suas características especiais, por meio da divulgação de infográficos com dados de exclusão da população com TEA, além do envio de profissionais capacitados às escolas, a fim de preparar corretamente os profissionais da educação para lidar com o transtorno, bem como sanar a ausência estatal na garantia dos direitos naturais dos indivíduos. Dessa forma, o dia 2 de abril será anualmente honrado com o progresso social na inclusão desse grupo historicamente marginalizado.