Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 07/07/2021
Anthony Hopkins (ganhador de 2 Oscar conhecido por interpretar Hannibal), Cortney Love (fundadora da banda Hole), Dan Harmon (criador de Rick and Morty), Serena de Jesus (lutadora de MMA), todos esses famosos falam abertamente sobre ter autismo, mas muitas vezes a mídia omite esse fato o que mostra como pessoas com autismo são extremamente invisibilizadas pela sociedade. No Brasil, notadamente há um grande desafio para a inclusão desse grupo social devido ao capacistimo - preconceito contra pessoas com deficiência -, e à negligência governamental com seus direitos.
Inicialmente, deve-se destacar ser dever do Estado garantir educação, trabalho, dignidade igualmente a todos, entretanto esses direitos são muitas vezes negados às pessoas com autismo. Tal fato ocorre devido baixo investimentos, que resulta em dados insuficientes para entender suas demandas e falta de ações efetivas. Com efeito, alguns retrocessos também decorrem disso, como em setembro de 2020, quando foi decretado a volta de escolas especiais, o que promoveu a exclusão e rejeição dessas crianças por escolas regulares, que não eram mais obrigadas a aceitá-las. Felizmente, o decreto foi revogado, visto que o Estado tem o dever de representar a Vontade Geral, como dizia Rouseau, e assim preferir o melhor para a sociedade, inclusive as minorias. Entretanto, ainda se faz necessárias outras intervenções governamentais para promover a inclusão de pessoas com autismo.
A exemplo disso, há um grande estigma social sobre essa pauta ocasionado, especialmente, por desinformação e falha de socialização na educação. A ideia de que a diferença não está restrita a outro grupo, mas, na verdade, presente em todos é muito recente, e isso levou à exclusão de pessoas com autismo do meio social comum, principalmente das escolas. Com isso se criou diversos preconceitos em torno do autismo, dificultando o processo de identificação e assistência, pois esse diagnóstico era sinônimo de rejeição. Oposto a isso, a séria Atypical retrata um cenário em que a informação e escola inclusiva foram presentes na vida de Sam, um menino com autismo, que apesar de conflitos comuns na puberdade, teve um ótimo desenvolvimento na vida estudantil.
Dessa maneira, maiores investimentos na educação são necessários para promover a inclusão. Assim, o governo federal deveria disponibilizar verbas para acompanhamento psicológico nas escolas públicas, responsável por traçar o perfil de aprendizagem dos alunos, por meio da contratação de psicólogos e terapeutas ocupacionais com a finalidade de otimizar a identificação de crianças com autismo, além de outras particularidades de aprendizagem, e lhes dar o direcionamento correto, de modo que todas as crianças terão uma assistência adequada para seu desenvolvimento, e a inclusão de todos, inclusive de quem tem autismo, será garantida.