Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

A inclusão de autistas no contexto brasileiro

Segundo Aristóteles, o ser humano é, por natureza, um ser político. Consequentemente a condição de ser político é determinada no convívio social. Portanto, tentar excluir do convívio social determinados humanos por conta de suas características físicas e psicológicas seria negá-los sua humanidade. Esse processo de exclusão tem trazido desafios quanto a inclusão de autistas no âmbito social brasileiro.

O Autismo é caracterizado como uma síndrome que afeta os mais diversos meios de comunicação humanos, influenciando seu comportamento. A recente inclusão do autismo na Classificação Internacional de Doenças da Organização Mundial da Saúde, efetuada em 1993, evidencia como a doença foi ignorada pelo meio científico, tendo em vista a sua grande incidência populacional, de até 2 milhões de brasileiros, segundo o site revista autismo. Assim, a falta de embasamento científico e a dificuldade de diagnóstico daqueles pertencentes ao espectro autista contribui para a exclusão deles nas mais diversas esferas sociais.

Mesmo que a exclusão de pessoas com deficiência seja um descumprimento da Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, muito pouco tem sido feito em favor dos que sofrem com exclusões desse tipo. A dificuldade de acessibilidade de autistas a setores tanto públicos como privados da sociedade mostra o decaso quanto às necessidades especiais do autista. Muitos sofrem até mesmo para assegurar sua educação, já que é comum que alunos autistas sejam impedidos de entrarem em instituições de ensino privadas por conta da falta de recursos direcionadas a eles. Muitas vezes a hostilidade à condição do autista vem do próprio meio científico, que legitimiza sua exclusão ignorando o fato de que, como ser político, o autista também é fadado ao convívio em sociedade como qualquer outro.

A iniciativa por parte do governo brasileiro e comunidade científica na ampliação e disseminação do conhecimento sobre o espectro autista por meio de campanhas de conscientização social é essencial para o comprimento das medidas estipuladas na Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, assegurando a inclusão da pessoa com autismo na sociedade brasileira.