Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Na mitologia grega, Sísifo foi condenado por Zeus a rolar uma pedra enorme morro acima por toda a eternidade. Diariamente, ao entardecer, o príncipe atingia o topo do rochedo, contudo era vencido pela exaustão e a rocha retornava a base. Analogamente, é possível perceber uma certa relação com as pessoas que sofrem autismo no Brasil, visto que, assim como na história grega, estes passam pelas mesmas dificuldades todos os dias, sem uma perspectiva de mudança. Dessa forma, a falta de estudos avançados na ciência, além de uma exclusão indireta dos autistas na sociedade, são dois dos principais problemas acerca do assunto. Portanto, medidas são necessárias para, ao menos, amenizar o quadro atual.
Verifica-se, a princípio que os investimentos para pesquisas relacionadas ao autismo são pouco avançados. Tal fato fia evidente quando se observa que o diagnóstico dessa doença é complicado e impreciso, o que dificulta um possível tratamento. Nesse sentido, Plotino, célere filósofo da Grécia Antiga, afirma: “O conhecimento, se não determina a ação, está morto para nós”. A reespeito disso, nota-se um alinhamento da realidade com a ideia do pensador, uma vez que o ser humano conhece pouco sobre a deficiência, o que dificulta na intervenção do cenário atual.
Somado à isso, é perceptível, que na sociedade brasileira, a exclusão de indivíduos com autismo segue acontecendo, mesmo que de maneira indireta. Nesse aspecto, na cidade de Esparta, bebês portadores de deficiências eram sacrificados, visto que não teriam capacidade de se tornar guerreiros espartanos. Similarmente, é possível perceber que tal situação segue acontecendo, de maneira menos radical, nos dias de hoje, uma vez que é evidente o fato de que alguns lugares, como escolas, não possuem o devido preparo para atender a necessidade desses indivíduos. Tal fato, fere gravemente um dos pilares sociais da Constituição que garante, para todos os cidadãos, educação de qualidade.
Diante dos fatos mencionados, o problema deve ser enfrentado. Cabe ao Estado, em parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologias e Inovações e com o Ministério da Cidadania desenvolver um plano de ação. Isso poderá ser concretizado através de mais investimentos na área das doenças mentais, especialmente o autismo, a fim de descobrir mais sobre essa deficiência, suas causas, consequências, medicamentos etc. Além disso, os principais estabelecimentos públicos e privados devem apresentar um maior preparo para auxiliar esses indivíduos autistas, tanto no que se refere ao tratamento, quanto a possíveis medidas urgenciais. Dessa maneira, essas pessoas que sofrem de autismo serão mais incluídas na sociedade brasileira e a história de Sífisio, será só mais uma da mitologia grega, sem apresentar qualquer relação com essa deficiência no Brasil.