Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Segundo a Constituição de 1988 - documento de maior hierarquia jurídica brasileira -, todos os cidadãos são iguais perante a lei. Entretanto, quando analisada a situação de pessoas com autismo no Brasil, percebe-se muitos desafios para a inclusão das mesmas. Assim, é oportuno citar que a área de estudos científicos voltada para essa camada é pouco desenvolvida e ainda há a presença de muitos ambientes, principalmente os escolares, não preparados para atender autistas.
De acordo com a filósofa Simone de Beauvoir, o mais escandaloso dos escândalos é aquele ao qual todos se habituam a ele. Parafraseando esta afirmação, é perceptível que a mesma quis demonstrar que quanto mais frequente é um problema, mais as pessoas tem a tendência de normalizá-lo. Da mesma forma ocorre no Brasil, uma vez que não há investimentos e nem subsídios voltados para pesquisas dentro do campo do autismo, fazendo com que cada vez mais os diagnósticos sejam imprecisos ou feitos tardiamente. A situação é ainda pior para as mulheres, já que é comprovado que esta problemática atua de maneira diferenciada em seus organismos e mesmo assim os estudos encontram-se estagnados. Dessa forma, é notório que o princípio básico de isonomia, garantido pela Carta Magna, não está sendo devidamente respeitado e garantido para a sociedade em geral.
Ademais, a falta de inclusão social desse grupo é uma forma de ameaça à democracia, visto que o geógrafo Milton Santos afirma que um regime só é democrático quando todos possuem os mesmos direitos. Analogamente, a exclusão de crianças autistas em escolas ainda é uma problemática muito grande dentro do território brasileiro, o que evidencia falhas do sistema quanto a garantia dos direitos humanos primordiais. Dessa maneira, é possível afirmar que ambientes escolares encontram-se sem preparo para tais pessoas, o que torna o acesso à educação precarizado para autistas que ainda se encontram em idade de desenvolvimento cognitivo. Com isso, fica claro a urgente necessidade de uma intervenção que vise a solução de tal problemática.
Portanto, ainda existem muitos desafios para a inclusão de pessoas autistas. Assim, é de responsabilidade do Estado disponibilizar verbas para o investimento em pesquisas dentro dessa área através de uma parceria com profissionais do SUS, para com isso garantir melhores diagnósticos e uma melhor qualidade de vida para autistas. Além disso, é importante que o Ministério da Educação promova ambientes escolares mais capacitados para receber pessoas com condições especiais, por meio de professores familiarizados a tal problemática, para dessa forma tornar o ensino mais democrático e inclusivo. Somente quando estas soluções forem postas em prática será possível uma sociedade tal qual afirmava Milton Santos.