Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 06/06/2021

No seriado “Atypical”, original da plataforma de streaming Netflix, é exposto as dificuldades de socialização de Sam, portador de autismo, atrelado também, na forma com que sua família e amigos lidam com exclusão do menino. Fora dos limites ficcionais o autismo é uma realidade no Brasil, que já conta com cerca de 2 milhões de pessoas diagnosticadas com o transtorno. As dificuldades relacionadas à inclusão dos afetados estão relacionadas à falta de profissionais capacitados no tratamento de pessoas autistas e ao baixo conhecimento sobre o transtorno que acarreta em preconceito, o que torna necessária medidas que mitiguem a questão no Brasil.

A priori, o baixo índice de profissionais especializados em cuidados ao portador de autismo dificulta a inserção deles em ambientes tradicionais, como escolas, clínicas medicas, supermercados, entre outros, uma vez que estarão a mercê em tais ambientes, estando mais suscetíveis a crises, onde não terão o auxílio necessário. Em entrevista ao G1, Audine Mesquista, presidente da Associação de Amigos do Piauí (AMA) afirma que a falta de especialistas compromete o tratamento de pessoas autistas. Dessa forma, providências devem ser tomadas, a fim de melhorar a qualidade de vida de pessoas autistas no Brasil.

Em segunda análise, é válido levar em consideração que a falta de conhecimento sobre o autismo motivam o preconceito, visto que o desconhecido causa estranhamento nas pessoas. Nesse contexto a falta de diálogo nas famílias brasileiras a respeito do tema afetam diretamente a interação com os portadores de autismo fora da instituição familiar. Como é dito pelo filósofo contemporâneo Talcott Parsons, “a família é responsável pela formação de personalidades humanas”, sendo necessário então, primeiramente uma adaptação no meio familiar que por si só provocará mudanças positivas no meio externo de interações coletivas.

Em face a tais informações, portanto, é lícito concluir que é preciso adotar um paradigma responsável para atenuar o problema. Desse modo é dever do Ministério da Educação - órgão responsável pela capacitação de jovens e crianças - promover a contratação de professores e auxiliares, bem como psicólogos especializados no auxílio de estudantes autistas por meio de concursos estaduais direcionados aos profissionais, a fim de tornar mais bem sucessedida a inserção dos autistas nas escolas tradicionais, para que eles tenham contato com o mundo da forma como ele é. Assim, dar-se-á o primeiro passo para mudar a questão do autista no Brasil.