Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 06/06/2021
Conforme se nota no conceito de “Cidadão de Papel”, exposto por Gilberto Dimnestein, os direitos humanos se tornam uma metáfora para aquelas pessoas que os desconhecem ou que não os têm respeitado, seja pelo Estado seja pela sociedade, isto é, o que lhes é garantido fica restrito ao papel. Nesse contexto, os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil são acentuados, tanto pelo preconceito e desinformação da população, quanto pela ausência governamental em promover meios eficazes para inserção desses. Assim, faz-se necessário pensar em possíveis soluções, de modo que os direitos passarão a ser executados também na prática.
Em primeira análise, é importante salientar que a falta de informação é um dos principais impasses para a inclusão desses indivíduos nas esferas sociais, uma vez que a baixa divulgação midiática e governamental de conteúdos sobre a temática dificultam a evolução desse processo. Diante disso, observa-se a estereotipação dos indivíduos portadores de autismo, fazendo com que ocorra a exlusão desses, ligando-os a pessoas de difícil convivência, que conseguem interagir apenas no seu próprio mundo. Porém, como se observa na série Atypical, com o personagem principal Sam, que faz parte desse espectro, autistas só necessitam de um pouco mais de cuidado, mas conseguem realizar qualquer atividade que esteja sob suas condições.
Em segundo plano, convém ressaltar a negligência governamental para com esse impasse, deixando restrito apenas à teoria e não executando, na prática, formas para amparar e incluir esses indivíduos. Consoante à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, o ingresso de uma criança ou jovem autista no ensino regular é garantido por lei, todavia isso não ocorre, visto que menos de 35% dos brasileiros desse espectro estão no ambiente escolar. Essa inclusão é barrada tanto pelo modo de ensino arcaico, baseado em decorar e excluir pessoas que não se encaixam no “padrão”, quanto pela ausência de profissionais capacitados para lidar com esses indivíduos, o que gera ainda mais à exclusão e à intolerância para com esses cidadãos.
Impende, portanto, a necessidade de implantar meios para superar os desafios da inclusão de pessoas autistas no Brasil. Posto isso, cabe ao MEC em conjunto ao Governo, implementar políticas públicas eficientes que visem qualificar profissionais da educação e informar a população, por meio de palestras que englobem todo o corpo docente da instiuição, os pais e os alunos, a fim de minimizar esse cenário de exclusão social. Ademais, o Ministério da Saúde deve produzir e divulgar camapanhas midiáticas e panfletos informando sobre a doença - já que essa auxiliará a combater a desinformação e a intolerância -. Nesse viés, os direitos desses indivíduos sairão do papel e serão incluídos na prática.