Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 02/06/2021

Na série “The Good Doctor”, disponível no GloboPlay, o protagonista Shaun Murphy é um médico autista que teve que passar por diversos processos para ser aceito pela equipe e sociedade, consolidando, depois de um tempo, uma vida onde ele era aceito sendo ele mesmo. Fora da ficção, o preconceito e exclusão das pessoas portadoras da síndrome ainda não foram superados, diferentemente da série. Desse modo, é de extrema importância que se analise a insuficiência legislativa e a falta de informação como principais desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil.

Diante dessa perspectiva, urge salientar, em primeiro lugar, que a negligência governamental é um dos pilares que precisam ser corrigidos para superação da problemática. Consoante Aristóteles, filósofo grego, a política tem como função preservar o afeto e o respeito entre as pessoas de uma sociedade, no entanto, é perceptível que essa função não é exercida quando se leva em conta os autistas, já que nem sempre eles possuem os mesmos direitos, respeito e oportunidades que os outros cidadãos, consequentemente, não colocando a lei Nº 12.764 - instituída pela Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista - em prática.

Ademais, é imprescindível comentar que o Vittinho do SUS, influenciador e estudante de medicina autista, publicou em seu Twitter o seu descontentamento após ter sido vítima de preconceito ao ir tomar a vacina de COVID-19 e a enfermeira não acreditar que ele era da área da saúde devido à sua condição. Tal acontecimento mostra que a falta de informação e debate é um grande impasse para alcançar a resolução do problema, visto que a escassez de conhecimento acerca do assunto faz com que esse tipo de situação desagradável seja presente na vida dos indivíduos que possuem a síndrome, podendo desencadear até problemas psicológicos por se sentirem inferiores.

Tendo em vista o que foi discutido, é imperioso que medidas sejam tomadas para que essa conjura não continue a perdurar. Faz-se necessário, portanto, que o Governo Federal, por meio do Poder Legislativo e Executivo, crie outras leis e fiscalize as que já existem com o intuito de garantir respeito e inclusão dos portadores de autismo na sociedade. Em segundo plano, a rede midiática deve, por intermédio de comercias de televisão e anúncios nas redes sociais, divulgar a importância da inclusão dos menosprezados em questão, a fim de preservar o respeito entre a população. Somente assim, se consolidará um país melhor e saudável para todos.