Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 03/11/2020

Em seu livro de ficção científica “Flores para Algernon”,  Daniel Keyes narra a história de Charles, um homem de 33 anos que possui dificuldades intelectuais e, por conta disso, necessita enfrentar múltiplos desafios, como a violência psicológica e exclusão social por ser portador de uma doença psiquiátrica. Não tão distante da ficção, no limiar do século XXI, muitos são os obstáculos para a inclusão de pessoas com transtornos no Brasil, entre eles, o autismo. Esse panorama é agravado pela falta de conhecimento disseminado sobre a doença e pelo preconceito.

Nessa perspectiva, torna-se imprescindível salientar que a desinformação acerca do autismo é um dos principais impedimentos para a inclusão desses cidadãos na sociedade. Dessa forma, de acordo com o Artigo 6 da Constituição Federal brasileira de 1988, a educação é um direito social, no entanto, tal garantia é deturpada, visto que a falta de informação sobre transtornos, como o autismo, ainda é uma lastimável realidade para muitas pessoas. Nessa lógica, um dos principais exemplos que reafirma essa problemática são os constantes casos de bullying que indivíduos no espectro autista sofrem, devido à falta de empatia que as pessoas têm com o que não conseguem compreender.

Outrossim, vale postular que o preconceito também é uma lamentável realidade que contribui para a exclusão social de autistas. Sob esse viés, segundo o filósofo francês Emmanuel Lévinas, um dos principais fundamentos da alteridade é que o homem na sua vertente social tem uma relação de interação e dependência com o outro. Nesse sentido, seguindo essa linha de pensamento, evidencia-se a importância da sociabilidade para todos os cidadãos, contudo, o preconceito prejudica esse processo, uma vez que hostiliza a presença de pessoas diferentes, atribuindo-lhes características negativas. Em suma, apesar de vital para a vida, a socialização é dificultada para autistas, tornando evidente os efeitos da exclusão social.

Percebe-se, portanto, que muitos são os desafios para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Nesse âmbito, com o intuito de mitigar os entraves dessa problemática, é necessária a atuação estatal, a partir do Ministério da Saúde, o qual deve criar uma diretriz de investimento voltada à propagandas publicitárias que devem ser realizadas em abril, mês da conscientização universal do autismo. Desse modo, essas propagandas devem informar sobre a doença e promover a empatia e, além disso, devem ser utilizados meios de comunicação, como a televisão, a internet e cartazes em postos de saúde. Feito isso, personagens como Charles passarão a existir somente na ficção e no passado.