Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 01/11/2020

Na série “The good doctor”, um jovem médico autista enfrenta diversos desafios da profissão e da dúvida de seus colegas sobre sua capacidade em exercer a medicina. Nesse sentido, fora da ficção as pessoas portadoras de autismo no Brasil passam por situações semelhantes, uma vez que existem diversos desafios para a inclusão desses indivíduos. Isso corre devido ao baixo número de informações sobre o espectro autista e a ausência de profissionais capacitados.

Diante disso, vale ressaltar, inicialmente, que a subnotificação e a falta de informação sobre o transtorno contribuem para este entrave. Sobre isso, somente no ano de 2019 foi sancionada a Lei 13.861/2019, que exige a notificação, nos sensos demográficos, de dados sobre a população com autismo. Nesse viés, essa escassez de informação dificulta a criação e implementação de campanhas voltadas para o público autista, já que os censos possibilitam o conhecimento das condições de vida dos cidadãos brasileiros. Logo, fica evidente a necessidade de solucionar o agravante.

Além disso, a falta de suporte adequado aos indivíduos autistas nas escolas é outro contribuinte para a temática. Desse modo, a Constituição de 1988 garante o direito a matrícula de alunos com necessidades especiais em colégios regulares. Porém, garantir a entrada desses alunos não é o suficiente para a inclusão, à vista disso, segundo pesquisa feita em Centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil no Rio de Janeiro, 48% dos autistas de 4 a 17 anos estão fora das salas de aula. Isso é reflexo da falta de profissionais capacitados para lidar com os discentes autistas.

Dessa forma, é preciso solucionar essa problemática no Brasil. Portanto, o Ministério da Saúde, por meio das informações sobre autistas obtidas no censo demográfico, deve promover a elaboração e implementação de políticas públicas sobre o tema, com o intuito de melhorar o atendimento aos autistas. Ainda cabe ao Ministério da Educação e Cultura capacitar os profissionais da educação, por meio da oferta de cursos voltados para o suporte ao público com transtorno do espectro autista, a fim de adaptar as instituições de ensino para receber crianças e jovens com a condição. Assim, espera-se garantir a qualidade de vida desses indivíduos, atingindo os ideias de liberdade, igualdade e fraternidade  pregados no Iluminismo.