Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 29/10/2020
Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos, “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos”. Contudo, é notória a ineficiência desse artigo, tendo em vista os portadores de autismo no Brasil que ainda lutam por inclusão na sociedade moderna. Tal dificuldade de integração ocorre desde a infância, com a falta de adaptação das escolas para lidar com alunos autistas, até a fase adulta, devido aos obstáculos na inserção no mercado de trabalho. Essas situações propiciam a permanência da exclusão dessa população.
A partir da lei 12.764, os autistas brasileiros puderam dispôr dos mesmos direitos das pessoas com deficiência, inclusive à educação no ensino regular. Entretanto, as instituições não foram preparadas para a chegada desses alunos, pois não adaptam as atividades de ensino às suas necessidades individuais. Nesse contexto, exercícios convencionais propostos pelos professores, como trabalhos em grupo, não levam em consideração a dificuldade de comunicação e de integração que os autistas possuem. Dessa forma, essas pessoas são privadas do ensino efetivo.
Ademais, essa população tem menos oportunidades de emprego. Devido ao receio em colocar atribuições do ofício no encargo do deficiente e à recusa das empresas em adaptar a equipe para a convivência com essas pessoas, os autistas são pouco contratados. Isso é exposto na série “The Good Doctor”,a qual mostra um médico autista que sofre preconceito entre os colegas de trabalho, mesmo realizando seu ofício brilhantemente. Tais obstáculos na contratação dificultam a aquisição de autonomia do autista.
Assim, essa população sofre exclusão no ensino e no mercado de trabalho. Portanto, o Ministério da Educação deve ofertar minicursos online para os docentes das escolas, a fim de informá-los sobre métodos de ensino efetivos e práticos a serem integrados às turmas que possuem alunos autistas, para promover a educação integral de todos. Além disso, as empresas privadas devem propor testes de habilidades para os autistas, a fim de atentar sobre a competência destes para o ofício, e após a contratação, devem focar na sensibilização da equipe de trabalho para a união independente das diferenças sociais.