Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 21/10/2020
O livro “Os números do amor”, de Helen hoang, retrata as dificuldades encontradas por autistas ao se inserir na sociedade. Nele é demonstrado como pequenas atividades, vistas como corriqueiras, podem apresentar dificuldades quando realizadas por indivíduos que possuem a síndrome, além do ridículo que sofrem por tais obstáculos. Paralelo a ficção a inclusão de pessoas com autismo no Brasil se encontra com as mesmas limitações: a escassez de informações e a recorrente discriminação. De fato, enquanto houver obstáculos para inserção de um grupo o Brasil não se desenvolverá.
Nessa perspectiva, a omissão do Estado afeta o reconhecimento social sobre o autismo. A esse respeito, toma-se como exemplo a Roma Antiga onde as crianças que apresentassem qualquer genética seriam jogadas de penhascos. Essa ação, praticada por inúmeras civilizações antigas, não difere do pensamento atual no qual “eliminar” as deficiências garante a diminuição dos gastos e do tempo aplicado para possibilitar o pleno direito desses indivíduos. Dessa forma, omitir informações sobre o autismo é “estrangular” a mobilização social no exigir políticas que incorporem os autistas. Ora, um governo que se legitima sobre a vulnerabilidade de um grupo está fadado ao retrocesso.
Além disso, outro aspecto da escassez de informações é a discriminação social e econômica. Nesse viés, a CLT garante que todo indivíduo apto a realizar serviços tenha a oportunidade de ingressar no mercado de trabalho. Todavia diante de ideias preconcebidas muitos incorporam que o autismo torna os indivíduos “estúpidos” e incapazes de realizar serviços, assim para evitar gastos, vistos como desnecessários pelos empresários, eles preferem marginalizar o grupo. Logo fica evidente que os maiores empecilhos são: as falácias e o preconceito.
Impende, pois, que a inclusão de pessoas com autismo se faz necessário para a garantia do pleno direito. Em razão disso, o Ministério Educação, como legitimador da educação, elaborar um projeto que explique a igualdade dos direitos e a importância da inclusão, por meio de palestras e projetos, com o fito de garantir o respeito e a aceitação. Ademais, o mesmo Órgão deve colaborar com a Mídia para desmistificar o autismo, podendo ser realizado através de campanhas publicitárias e até mesmo a participação de médicos e indivíduos que apresentam a síndrome em programas de entretenimento, como o “Encontro com a Fátima Bernardes”. Assim, discriminações como as retratadas em “Os números do amor” não serão recorrentes.