Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 18/10/2020
Em Esparta, era comum bebês que tivessem algum tipo de deficiência serem excluídos da sociedade e condenados a morte. Essa tragédia ocorria devido ao padrão estabelecido, no qual as crianças deveriam ser saudáveis para tornarem-se excelentes guerreiros. No que tange ao período atual, infelizmente, ainda há dificuldades para a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Tal problemática ocorre devido, entre outros fatores, à apatia social e ao Estado ineficiente ao tratamento do autismo.
Nessa perspectiva, há a questão da sociedade indiferente, que influi decisivamente na consolidação do problema. Na obra “Modernidade Líquida”, Zygmunt Bauman defende que a pós modernidade é fortemente influenciada pelo individualismo. A tese do sociólogo pode ser observada de maneira específica na realidade brasileira, no que tange ao autismo. Essa liquidez que influi sobre a questão do Transtorno de Espectro Autista funciona como um forte empecilho para sua resolução. A sociedade se mostra apática quando não se sensibiliza para melhorar a relação enquanto comunidade, ou seja, o egoísmo social destrói a inclusão da pessoa autista.
Além do mais, ressalta-se que a ineficiência do Poder Público também se configura como um entrave no que tange à questão das dificuldades na inclusão de pessoas autistas. Não basta apenas criar leis que defendam seus direitos, mas também que o Governo seja incisivo na aplicação destas, pois, é necessário que hajam profissionais qualificados e todos os demais recursos para amparar as pessoas com autismo. Assim como nas escolas, onde, na maioria das vezes, as crianças e os colaboradores do meio não têm orientação necessária para lidar com esses indivíduos, tornando-os excluídos em um ambiente de convivência social. É pertinente também ressaltar que a saúde pública ainda é precária quanto a assistência desses indivíduos. Bem como na teoria do “Contrato Social”, de Thomas Hobbes, no qual é dever do Estado promover o bem comum da sua sociedade. Destarte, o Poder Público se mostra inócuo.
É urgente, pois, medidas que desenvolvam a inclusão de pessoas com autismo no Brasil. Para isso, cabe ao Governo Federal em parceria com a mídia, divulgar propagandas da importância da inclusão de pessoas autistas, por meio das redes sociais e da televisão, com o fito de que todos os indivíduos sejam empáticos e respeitem o direito desses. Ademais, é papel do Ministério da Educação, garantir que as escolas tenham profissionais capacitados para ensinarem as pessoas autistas e que orientem aos demais alunos as formas de conviver e respeitar seus colegas, a fim de criar uma sociedade de inclusão. Dessa forma, o que se passou em Esparta restará apenas no passado e que não se assemelhe com a realidade atual.