Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 07/10/2020
Na série “Atypical”, da Netflix, o protagonista Sam Gardner é portador do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e narra as dificuldades de seu cotidiano. Apesar de ser uma ficção, os empecilhos vividos pelo personagem também fazem parte da vida de muitos autistas brasileiros. Sob essa ótica, compreender o atual cenário da inclusão de pessoas com TEA, no Brasil, é substancial para a promoção de resoluções, uma vez que a falta de conhecimento dos parentes e a exclusão dos indivíduos que têm essa doença são notados.
É preciso considerar, antes de tudo, que a maioria das pessoas, as quais sofrem com essa deficiência, recebem diagnóstico tardio. Problema esse, causado pelo desconhecimento dos familiares quanto aos sintomas. Prova disso, é que, segundo professores da USP, até os exames genéticos são ineficientes na afirmação precisa desse distúrbio. Tal circunstância se relaciona com a “Alegoria da Caverna” do filósofo Platão, o qual salienta que a incorporação do senso comum, por parte do indivíduo que não conhece o diferente, proporciona a falta de empatia. Por essa razão, urge a necessidade de transformação das concepções da sociedade para minimizarem essa contenda.
É válido ressaltar, ainda, a existência da Política Nacional de Proteção das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista. Contudo, ainda há um déficit de inserção desses deficientes em espaços públicos. Nesse sentido, a falta de vagas de emprego, a discriminação e a insuficiência de profissionais da educação destinados a esse grupo são fatores que corroboram tal realidade, de acordo com o site “Hoje em Dia”. Essa conjuntura, em consonância com o “Contrato Social” do filósofo Rousseau, o qual enfatiza que o Estado deve manter, por meio do poder, as regras e as vantagens iguais a todos, demonstra a urgência da intervenção legislativa para alterar essa mazela social.
Evidencia-se, portanto, que as dificuldades sofridas por quem convive com essa anomalia neurológica são diversas. Para contrapor as situações, cabe ao Ministério da Saúde, em ação conjunta à mídia, elucidar as famílias a respeito dos indicativos da presença dessa síndrome, por meio de informativos nos programas televisivos, a fim de diagnosticá-la na infância para obter os devidos tratamentos. Outrossim, o Poder Legislativo deve aperfeiçoar a lei que assegura os direitos reservados a essa parcela da população, por intermédio de cotas obrigatórias no mercado de trabalho e sistema educacional inclusivo, com a finalidade de reinseri-la no meio público. Destarte, será possível promover a inclusão, na medida em que os conceitos rousseaunianos de equidade serão alcançados.