Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 07/10/2020
A Constituição Federal de 1988 - norma de maior hierarquia do sistema judiciário brasileiro - garante que é objetivo fundamental da República promover o bem de todos, sem preconceitos e quaisquer formas de descriminação. No entanto, a população se mostra distante da realidade prometida pela norma constitucional, haja vista que a exclusão de pessoas autista em ambientes públicos é cada vez maior na sociedade brasileira. Assim, cabe a analise acerca de causas, consequências e possível solução da problemática em questão.
Em primeiro plano, é válido destacar que a desinformação da população sobre os transtornos neuropsiquiátricos colabora com o cenário da exclusão de pessoas com autismo. De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, o individualismo é uma característica marcante das relações no mundo contemporâneo, na qual o bem-comum e a solidariedade tornaram-se conceitos desvalorizados. Nessa perspectiva, seguindo a ótica de tal sociólogo, é notório que devido a falta de empatia e desinformação, a sociedade encontra-se alienada sobre o assunto, de tal forma que inferiorizam, excluem e criam esteriótipos equivocados acerca dos indivíduos autistas. Dessa forma, observa-se um entrave na sociedade no que diz respeito a inclusão social dos autistas no Brasil.
Ademais, outro fator é responsável pelos desafios da inclusão de indivíduos com autismo: o despreparo da equipe pedagógica. Outrossim, a série “Atypical”, retrata a vida de uma adolescente - Shaun Murphy - que possui autismo, a narrativa aborda o cotidiano da jovem na escola, abordando os problemas e as dúvidas comuns a essa fase, como vida amorosa e sexualidade. Não obstante, tal questão transcende a ficção e mostra-se presente na realidade brasileira, uma vez que nas escolas há uma enorme dificuldade na equipe pedagógica para lidar com o comportamento desse grupo social, de modo que pelo despreparo não sabem realizar atividades interativas de aprendizagem. Dessa maneira, torna-se fundamental a inclusão de especialistas, a fim do pleno funcionamento no âmbito escolar.
Em suma, faz-se imprescindível a tomada de medidas atenuantes ao entrave abordado. Posto isso, cabe ao Estado, impor na mídia, a criação de comerciais para a disseminação educativa que desmistifiquem o autismo, para que esses indivíduos tenham maior visibilidade na sociedade, a fim de que haja mais empatia entre as pessoas e a quebra de esteriótipos. Além disso, cabe ao Ministério da Educação incluir na equipe pedagógica, profissionais psicólogos e psiquiátricas nas escolas, a fim de dá suporte necessário para os autistas. Feito isso, a norma constitucional estará exercida corretamente.