Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 07/10/2020
O sociólogo Émile Durkheim definiu a sociedade como um organismo biológico cuja parte em disfunção ocasiona o colapso de todo sistema. Analogamente, no Brasil atual, observa-se que a dificuldade de inclusão de autistas contribui para o colapso do sistema, já que prejudica a integridade social. Isso se explica não só pela ignorância a respeito desse assunto, mas também pela falta de estruturas inclusivas nas escolas públicas do país. Assim, cabe analisar tais fatores para liquidar essa problemática.
Em primeiro lugar, é imperioso destacar que o tema em questão é fruto da baixa conscientização do povo brasileiro em relação ao autismo. Isso porque, mediante a falta de investimento estatal na veiculação de informações sobre o espectro autista na mídia, cria-se um grande vácuo acerca dessa condição. Segundo Immanuel Kant, o homem é aquilo que a educação faz dele. Sob tal ótica, observa-se que, sem o acesso à informação, a educação não conseguirá exercer seu papel transformador na vida do cidadão brasileiro. Consequentemente, os índices de discriminação (derivada da desinformação) à população autista crescerá, bem como o preconceito e maus tratos.
Em segundo plano, os desafios de inclusão social da população autista derivam, ainda, da ausência de uma estrutura adequada em escolas públicas. No filme “Como estrelas na terra”, é retratada a grande influência que um professor adequado e um espaço de aprendizagem de qualidade exercem na vida de um aluno com sérias dificuldades de aprender. No entanto, caminhando para o lado oposto do que se espera, o Brasil investe muito pouco na capacitação de professores para lidarem com alunos especiais (como autistas) e menos ainda na disponibilização de salas de aula adequadas às necessidades desse público. Em virtude disso, o estudante autista enfrenta enormes dificuldades para receber uma educação digna.
Dessarte, de modo a garantir maior inclusão dos autistas na sociedade brasileira, medidas devem ser tomadas. Primeiramente, o Governo federal deve destinar verba para a criação de programas e debates informativos na mídia televisiva - os quais devem conter especialistas na área dialogando sobre o autismo e trazendo curiosidades aos telespectadores. Isso deve ser feito para que a população tenha fácil acesso à esse conteúdo e saiba como lidar com esses indivíduos no cotidiano. Ademais, cabe a cada Estado da federação investir na melhoria das escolas públicas, capacitando profissionais da educação e fornecendo espaço de qualidade para o aprendizado de autistas.