Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 23/09/2020
A série “Atypical”, tem o papel social de gerar reflexões sobre assuntos importantes, como o preconceito contra pessoas com espectro autista. Em vários episódios são retratadas cenas em que o personagem principal, um garoto com autismo, sobre bullying. Fora da ficção, casos em que essa minoria não tem seus direitos garantidos é uma realidade no Brasil, haja vista a exclusão social e a falta de políticas públicas de saúde voltadas para essas pessoas. Logo, é necessário analisar os desafios da inclusão de indivíduos com autismo.
De início, um dos problemas destacados é a exclusão das pessoas com transtorno do espectro autista. Dessa forma, segundo o conceito “Habitus” do sociólogo Pierre Bordieu, o ser humano incorpora para si e reproduz ideias e padrões de comportamento observados frequentemente no corpo social. Desse modo, é inegável que devido ao preconceito existente contra essa minoria, perpetua na sociedade o pensamento de que autistas não possuem capacidades cognitivas de trabalhar ou de estudar, e por esse motivo não tem problema exclui-los. Nesse sentido a população autista se encontra à margem da sociedade e sem seus direitos à dignidade garantidos, assim como é retratado no seriado “Atypical” uma vez que o personagem principal é desumanizado por parte de pessoas do seu convívio.
Além disso, é importante salientar que o Governo é negligente em garantir o bem estar das pessoas com autismo. Nesse sentido, conforme a teoria contratualista de Rousseau, é dever do Estado assegurar os interesses que objetivam o bem maior para a sociedade, uma vez que a legitimação do seu poder depende da vontade do povo. Entretanto, a expansão de políticas neoliberais e conservadoras, prioriza os aspectos econômicos, em detrimento dos aspectos sociais, como a criação de políticas pública voltadas ao atendimento multiprofissional para pessoas com transtorno do espectro autista. Como consequência disso, cerca de 2 milhões de brasileiros, número apontado pela ONU (Organização das Nações Unidas), não possuem acesso a medidas básicas de saúde, como ao diagnóstico precoce e aos medicamentos adequados para tratamento do autismo.
Portanto, medidas são necessárias para amenizar os problemas abordados. Diante disso, cabe ao Ministério da Saúde criar campanhas voltadas para a saúde da população autista. Ademais, é dever da mídia, realizar ações de merchandising social, por meio da inserção, em obras de arte, como novelas e series, tais como “Atypical”, de temas que tratem da necessidade da inclusão de pessoas com autismo no meio social, de maneira detalhada, que, além de explicar a importância dos cidadãos não normalizarem o preconceito, também explique como as pessoas podem realizar a denúncia caso ocorra o bullying, e dessa forma garantir a dignidade a maioria da população.