Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 05/09/2020
No seriado americano “O Bom Doutor” é retratada a vida de um médico autista que, por apresentar essa condição, sofre preconceito de seus colegas de trabalho e não recebe a devida atenção no mercado laboral - mesmo sendo considerado um profissional brilhante por certos personagens. Fora das telas, infelizmente, muitos brasileiros autistas enfrentam inúmeros desafios para obterem, de fato, a inclusão na sociedade. Acerca desse problema, pode-se levantar tanto a falta de aptidão do sistema educacional brasileiro a esses indivíduos, como também a exclusão das pessoas com Transtorno do Espectro Autista - TEA - do mercado de trabalho.
A priori, segundo Pierre Bourdieu, filósofo francês, a educação moderna se mostra como fator da desigualdade, visto que utiliza como base de ensino os bens culturais dos indivíduos mais favorecidos, mas cobra das minorias esses conhecimentos - desconsiderando as diferentes realidades. Sob tal óptica – levando em conta que, de acordo com o Ministério da Educação, a maioria das escolas do país não possuem profissionais nem sistemas preparados ao ensino de alunos autistas -, a educação brasileira ainda não é inclusiva em relação aos indivíduos com TEA, problema que demonstra a desigualdade no processo de ensino nacional. Nesse sentido, para combater o problema, percebe-se que a formação de profissionais aptos ao ensino de alunos com TEA é ideal.
Ademais, vale ressaltar que o mercado de trabalho apresenta pouca aceitação a funcionários autistas, o que promove maior exclusão desse grupo. A esse respeito, segundo Simone Barbieri, diretora dos recursos humanos da ENGIE Brasil, pouquíssimas empresas contratam pessoas com deficiências mentais e apenas 6% dos deficientes brasileiros - inclusive os autistas - estão empregados. Tal fato não apenas representa resquícios de uma sociedade segregacionista, como também é ilegal de acordo com a Constituição de 1988, pois – como dito por Simone - desconsidera o número mínimo de deficientes que devem obrigatoriamente empregados.
Com base no Exposto, é evidente que, para combater a exclusão do contingente autista presente no país, mudanças na educação e no trabalho devem ser tomadas. Para tanto, o Poder Legislativo deve promover a formação de professores aptos ao ensino dos indivíduos com TEA, por meio de uma lei entregue à Câmara dos Deputados. Essa lei exigirá que todas as faculdades públicas de pedagogia do país ofereçam cursos semestrais sobre o processo educativo aos autistas. Outrossim, os governos estaduais precisam multar toda e qualquer empresa que não possuir, em uma razão acima de 1 centésimo, funcionários autistas empregados. Com isso, as pessoas com TEA sofrerão menos a exclusão vista no seriado, recebendo maior atenção e respeito da sociedade.