Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 28/08/2020

O autismo é um fenômeno patológico que se caracteriza por privilegiar o mundo dos pensamentos e dos sentimentos pessoais e afastar o indivíduo do mundo real. Essa desordem no desenvolvimento neurológico impede que a pessoa tenha uma boa comunicação e um bom convívio social onde está inserida. Em razão disso, essa problemática engloba outros fatores, tais como, a escassez de políticas públicas voltadas aos autistas e o preconceito originado pela falta de conhecimento acerca da doença, o que faz com que esses indivíduos tornem-se marginalizados e excluídos da sociedade.

Em primeiro plano, é fundamental destacar, que, a causa para haver pouca infraestrutura direcionada aos autistas se deve ao fato de esse assunto ser tratado como banalidade pelas autoridades políticas. Além disso, é fato que há uma enorme complexidade para o reconhecimento e tratamento da  doença. Segundo a professora Maria Rita dos Santos, coordenadora do núcleo voltado ao autismo da USP, a eficiência de testes de portadores de transtorno de espectro autista é muito baixa. Assim, entende-se que devido a essas circunstâncias, práticas que atendam às necessidades dos autistas tornam-se um desafio ainda maior.

Vale ressaltar, em segundo lugar, que uma das principais consequências da má integração, da população que sofre com o transtorno, no meio social é o preconceito que vigora no âmbito das escolas. De acordo com o jornal O Tempo de Belo Horizonte, em 15 de setembro de 2019 foi noticiado que colégios particulares da cidade recusam crianças com deficiência. Tais atitudes apenas refletem na discriminação e na falta estruturas necessárias para as crianças autistas no Brasil. Ademais, por se tratar de um problema que afeta a socialização do indivíduo, a não colaboração com essa integridade desde jovem faz com que essa situação seja agravada.

Infere-se, portanto, que pessoas portadoras do transtorno de espectro autista devem receber uma atenção maior pelas autoridades políticas e pela sociedade que os envolve. Para que isso aconteça, cabe ao Ministério da Cidadania criar alternativas para o desenvolvimento de crianças autistas no cenário social, por meio da criação de espaços públicos com profissionais de diversas áreas tais como pedagogia, fonoaudiologia e psicologia. Em adição, o MEC junto à ONGs voltadas a questões de criancas deficientes devem buscar soluções na educação, por meio da difusão de informações em palestras de especialistas em escolas, com o intuito de erradicar o preconceito. Somente assim, a temática dos autistas no contexto atual deixará de ser um problema e a população aceitará as diferenças dentro de uma sociedade.