Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 30/08/2020

Na série norte-americana Atypical, o protagonista Sam Garner, ainda na sua infância, foi diagnosticado com autismo, e, por conta disso, enfrenta desafios diários em sua vida. Como, por exemplo, o seu baile de formatura do ensino médio, o qual Sam sabia que não poderia participar, pois, devido à sua condição, é hipersensível a sons altos. Fora da ficção, a realidade brasileira não se difere muito do universo de Atypical. Assim como o protagonista, muitos jovens autistas brasileiros também enfrentam dificuldades de inclusão, principalmente em ambientes escolares. Nesse contexto, deve-se analisar o descaso governamental e escolar quanto às necessidades da população que se encontra no espectro autista.

Em primeiro lugar, a falta de investimentos em campanhas de conscientização e adaptação dos ambientes públicos para receber as pessoas com a síndrome mostra porque as pessoas no espectro não conseguem sair de casa sem possuir algum desconforto, da mesma forma que ocorreu com Sam em sua formatura. Outrossim, o matemático e físico Albert Einstein já dizia que: é mais fácil desintegrar um átomo do que o preconceito. Sabendo que o preconceito só é combatido com informações, entra-se em um paradoxo, como o Brasil irá combater o preconceito contra os autistas se o governo apresenta um grande descaso com essa parte da população?

Ademais, o âmbito escolar deve oferecer um ambiente onde os alunos autistas se sintam acolhidos, respeitados e recebam as mesmas oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento integral que os demais estudantes. Contudo, o descaso escolar em relação aos portadores da síndrome é muito grande e muitos deixam de ir à escola pela falta de especialização de professores e pelo preconceito de colegas. Isso é provado na pesquisa feita em treze centros de Atenção Psicossocial Infanto-Juvenil (CAPSi) na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, a qual revela que 48% dos autistas de 4 a 17 anos estão fora das salas de aula devido aos impasses na inclusão social.

Portanto, fica evidente que medidas precisam ser postas para solucionar o problema. Logo, é de responsabilidade do Governo Federal investir em projetos sociais que expliquem a situação de vida da população autista por meio de propagandas televisionais e palestras em escolas. A fim de que a população se conscientize e o preconceito seja combatido. Cabe também ao Ministério da Educação exigir que as escolas se adaptem para receber alunos dentro do espectro e que direcione investimentos para o treinamento de professores para que estejam aptos a trabalhar com alunos especiais, com o intuito de que isso estimule as crianças a irem ao colégio e aumente a inclusão delas na sociedade.