Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 27/08/2020

Em meados de 2019, a ativista Greta Thumberg, de 16 anos, chamou atenção da Organização das Nações Unidas e de grandes veículos de comunicação, como The New York Times e BBC, ao realizar protestos semanalmente contra o aquecimento global. Embora trate de fatos relevantes sobre o mundo, a garota foi chamada de louca e retardada em mídias sociais após revelar ter Síndrome de Asperger. Tal síndrome se encontra dentro do espectro autista e pode causar atrasos no desenvolvimento, além de falhas na comunicação e socialização do indivíduo. Decerto, faz-se então imperiosa a análise do autismo na conjuntura atual, já que a falta de conhecimento sobre o tema acaba gerando preconceito e diagnósticos tardios, o que dificulta a integração e inclusão de autistas na sociedade.

É contundente que há hoje cerca de 2 milhões de autistas no Brasil, segundo dados da ONU. Não obstante, mesmo tendo um percentual tão elevado no país, apenas em 2013 foram elaboradas leis que abordam  o autismo como uma deficiência. Esta não difusão do autismo como uma patologia  acaba dificultando as suspeitas por parte da  família e, dessa forma, o diagnóstico e tratamento por especialistas . Isto posto, sem o acompanhamento profissional necessário, pessoas com autismo são ainda mais comprometidas pela dificuldade no desenvolvimento mental, comunicativo e social e, por conseguinte, apresentam dificuldade de  inclusão em escolas e mercado de trabalho.

De maneira análoga,  Vittor Guidoni, conhecido nas redes sociais como Vittinho do SUS após sua foto viralizar no Twitter, aproveitou a atenção do público para publicar uma thread, que funciona como uma série de publicações com o mesmo assunto, sobre o autismo, já que enfrenta problemas por ter a Síndrome de Asperger, semelhante a de Greta. As publicações de Vittor espalharam-se rapidamente nas redes sociais e auxiliaram na disseminação sobre as dificuldades as quais os autistas enfrentam. Com atos semelhantes, a abordagem da doença pode ser valorizada, já que o maior impasse para a inclusão de autistas é a falta de abordagem sobre o tema e o consequente preconceito.

Nesse sentido, é de suma importância elucidar a forma como o autismo obstaculiza a inclusão de pessoas com essa síndrome a fim de elaborar soluções efetivas. Nesse viés, é dever do Ministério da Saúde, por meio de campanhas de conscientização, informar pais e escolas sobre os sintomas comuns. Com tal política, o diagnóstico poderá ser feito de forma menos tardia e, por conseguinte, facilitar o tratamento psicológico de autistas, além de difundir a grande ocorrência da doença e, consequentemente, diminuir o preconceito. Somente dessa forma a falta de inclusão de autistas, gradativamente, deixará se ser um grande impasse pois, conforme Gabriel, o Pensador, “Na mudança do presente a gente molda o futuro.”