Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 26/08/2020

A série “Atypical”, produzida em 2017 pela Netflix, retrata a vida de um adolescente de 18 anos diagnosticado com autismo, que apesar de possuir dificuldades para o convívio em sociedade, tenta lidar com suas limitações e enfrentar os desafios diários com apoio de amigos e familiares. Nessa lógica, infelizmente, essa ficção não se assemelha à realidade, uma vez que ainda existe preconceitos em relação à indivíduos autistas devido à dificuldade na interação. No entanto, é necessário discutir sobre a exclusão das atividades regulares que esses sujeitos sofrem, e falta de informação e consciência dos pais para lidar com a situação, que são os principais desafios do espectro.

Convém analisar, inicialmente, que segundo o artigo “Transtorno do Espectro Autista”, publicado pelo doutor Drauzio Varella, dependendo do grau do transtorno, uma criança diagnosticada com autismo pode levar uma vida normal, e somente nos casos mais graves torna necessário o acompanhamento especializado. Nessa lógica, as justificativas para exclusão desses cidadãos dos mais diversos setores sociais, como escolas, faculdades e ambientes de trabalho, não encontram respaldo, uma vez que essas sustentações de argumentos se baseiam no fato de que os autistas precisam de um atendimento individualizado que pode comprometer o andamento das demais atividades, o que vai de confronto ao médico, já que os sujeitos do espectro podem lidar com uma rotina próxima à normalidade.

Outrossim, de acordo com a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, a lei determina atenção integral às necessidades de saúde do paciente, além de decretar que esses cidadãos não devem ser submetidos à tratamentos desumanos e não serem privados de suas liberdades. Em contrapartida, esses direitos são violados a medida que o diagnóstico sobre a doença ocorre de maneira tardia, o que acaba prejudicando a qualidade de vida, que por não se comportarem da maneira “normal” no convívio social, são alvos da segregação. Dessa maneira, devido à falta de informação e conscientização a respeito do autismo, os sujeitos do espectro tornam-se incompreendidos pelas suas limitacoes neurologicas, o que fere o direito previsto constitucionalmente.

Fica evidente, portanto, a urgência de medidas para amenizar os desafios enfrentados por esses indivíduos. Logo, é dever do Governo promover a inclusão dos autistas por meio da fiscalização das leis que garantem o acesso às diversas atividades regulares, como escolas, faculdades e serviços e multar, consequentemente, locais que não atendam a essa classe a fim de promover a desconstrução de segregações pautadas nas diferenças individuais. Ademais, é dever da Mídia auxiliar na conscientização do autismo por intermédio de anúncios e propagandas que retratem os sintomas e possíveis tratamentos com intuito de motivar a busca por tratamento e melhorar a vida dos autistas.