Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 13/08/2020
Na antiga Esparta, crianças que possuíssem deficiências eram sacrificadas, pois não conseguiriam, na teoria, tornar-se bons guerreiros. Analogamente, no Brasil, é fato que a realidade de Esparta pode ser relacionada aos desafios na inclusão de pessoas com deficiência, uma vez que, devido aos preconceitos, indivíduos são privados de sua cidadania plena - especialmente os autistas. Nesse preocupante contexto, é necessário compreender como o diagnóstico tardio do transtorno e a falta de políticas públicas eficientes de inclusão do grupo acarretam a persistência do impasse na integração de autistas no país.
Em primeiro lugar, o preconceito e o desconhecimento sobre o Transtorno do Espectro Autista contribuem para o diagnóstico tardio da deficiência e, consequentemente, para a exclusão social. No livro “Sociedade do Espetáculo”, do sociólogo Guy Debord, é explicitada sua teoria de que todas as pessoas vivem suas vidas como se fosse um espetáculo, tentando aparentar perfeição. Nesse sentido, parte dos pais não aceita possíveis “defeitos” em seus filhos - fruto do preconceito enraizado na sociedade -, o que dificulta o diagnóstico e impede o tratamento do autismo. Dessa forma, a busca pela perfeição figura uma discriminação tão nociva quanto a de Esparta, apenas mais dissimulada.
Além disso, a negligência governamental em promover políticas de inclusão de indivíduos autistas também é uma questão crucial ao analisar o problema. De acordo com o filósofo Aristóteles, “política é a arte de gerir a pólis visando ao bem comum”. Entretanto, apesar de o Artigo 5 da Constituição Federal garantir que todos são iguais perante a lei, esse direito não é concretizado, por completo, no caso de pessoas com autismo. Isso porque os investimentos estatais em medidas que estimulem a inclusão desse grupo são insuficientes. Dessa maneira, tais indivíduos são privados, por exemplo, de oportunidades de educação, quando parte dos colégios não aceita alunos com necessidades especiais. Assim, o país se afasta da máxima aristotélica e os autistas continuam sendo marginalizados.
Portanto, é mister que o Governo tome providências para amenizar o quadro atual. Nesse viés, além de promover campanhas publicitárias de conscientização, o Estado e o Ministério Público devem criar um projeto de lei que será entregue à Câmara dos Deputados, a fim de aumentar os investimentos no setor da saúde pública. Isso deve ocorrer por meio de parcerias com empresas privadas para que o melhor serviço de atenção para o tratamento e diagnóstico do autismo seja desenvolvido e, assim, mais indivíduos recebam o acompanhamento psicológico ideal. Diante dessas medidas, espera-se que os desafios na inclusão dos autistas sejam superados no Brasil.