Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 14/10/2020

Por meio da Constituição Federal de 1988, é garantida isonomia à todos cidadãos brasileiros, seja em seus deveres ou em seus direitos, como é a educação e a saúde. Porém, o Brasil ainda é um país muito excludente no que tange o acesso de autistas aos espaços públicos. Isso é o que mostra uma pesquisa feita pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a qual detectou que 40% das prefeituras não são aptas para acessibilidade de pessoas com deficiência, nisso, inclui-se aqueles com autismo. Desse modo, haja vista a importância de integrá-los na sociedade, urge analisar os desafios e possíveis estratégias que contribuem para a inclusão deles em todos âmbitos sociais.

Mormente, pessoas com espectro autista tendem a ter dificuldades na interação social, no aprendizado e na comunicação. Vale salientar, que os sistemas educacionais engessados são limitantes para o desenvolvimento social desse grupo, visto que, por haver muitos alunos e pouca qualificação, por exemplo, o professor não consegue auxiliar todos estudantes. Dessa forma, desde cedo, aqueles que utilizam o sistema público de ensino e são autistas serão, em maioria, prejudicados em comparação aos demais acadêmicos, já que precisam de um ensino mais individualizado. Entretanto, atualmente, há metodologias mais modernas que pregam pelo próprio ritmo de aprendizado, pela autonomia e por um ensino mais ativo, como a pedagogia Montessoriana. Assim sendo, o indivíduo pode ultrapassar esses entraves neurológicos e a ter maior inclusão escolar.

Sobre outra ótica, o drama coreano “Tudo bem não ser normal” traz a vivência de Sang Tae, personagem autista que é cuidado por seu irmão ao longo de sua vida mas que, posteriormente, alcança sua independência através do seu trabalho artístico. Entretanto, fora da ficção, devido ao ensino pouco eficaz, pessoas com espectro autista sofrem ao tentar entrar no mercado de trabalho. De acordo com isso, em uma pesquisa feita pela Revista Época, 85% deles estão desempregados. Sem dúvidas, trata-se de um situação insustentável, pois, além de “excluí-los” do ofício, o Brasil acaba perdendo uma mão de obra valiosa para a movimentação da economia no país.

Destarte, faz-se mister a inclusão dos autistas no Brasil. Desse modo, cabe ao Ministério da Educação (MEC) ofertar cursos para os educadores sobre assistência pedagógica à alunos com retardo neurológico por meio do site do MEC, o qual possibilitaria menos custos e maior alcance a esses profissionais. Além disso, destinar, periodicamente, pedagogos para levar assistência nas escolas para esse grupo, por meio de atividades interativas como trabalhos artísticos, teatro, dança, literatura e afins, para ajudá-los no aprimoramento de suas habilidades comunicativas e cognitivas. Assim, além da inclusão social, será possível ter estudantes e profissionais qualificados, como o exemplo do Sang Tae.