Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 26/09/2020
“Os preconceitos são a razão dos imbecis”. Na ótica de Voltaire, nota-se no cotidiano que muitos indivíduos que penam com transtornos neuropsiquiátricos padecem de exclusão social e, dessa forma, os desafios da inclusão de tal sociedade com autismo no Brasil tem como pilares a desinformação e a discriminação por uma parte da coletividade. Ora, uma atmosfera de negligenciamento e, por tabela, de desleixo que apadrinha o futuro.
Na proa dessa reflexão reside a leniência do Estado nessa área. De acordo com Platão, “A parte que ignoramos é muito maior que tudo quando sabemos”. Sob esse viés, quando imagens de preconceito, recrudescimento da empatia e, por extensão, a desabono desse grupo de indivíduos se tornam comuns, é indicativo para se exigir uma ação mais urgente dos gestores públicos, uma vez que a “parte ignorada” em prol de discursos econômicos, literalmente, constitui a mais significativa para a permanência da vida como um todo. Nesse sentindo, efetiva uma política de respeito ao próximo é fulcral para estancar essa mazela.
Por sua vez, outro vetor dessa assertiva é o papel apático da escola nessa esfera. Partindo dessa esteira, a filósofa Hanna Arendt, que desenvolveu o conceito conhecido como banalidade do mal, o qual afirma que as atitudes cruéis são parte do cotidiano moderno e tornam as relações sociais cada vez mais caóticas. Nessa perspectiva, é substancial um olhar mais atento do âmbito educacional nessa temática, pois os estudantes brasileiros manifestam, na prática, a cultura de hostilidade definida por Arendt, o qual motiva os casos de violência como o próprio bullying vivenciado na escola. Dessa forma, enquanto, a banalidade for a regra, a paz será exceção.
Infere-se, portanto, que nessa problemática o Governo deve tonificar as atuações de programas de inclusão, por meio do investimento de verbas para tal ação e, sobretudo, promover um mecanismo para qualificação de profissionais dessa área, com treinamento e palestras, a fim de barrar o percusso de todo o caos. Ademais, o ambiente escolar precisa ampliar uma melhor gestão de seus ensinamentos, por intermédio de debates entre seus alunos e, por extensão, documentários inseridos nessa causa, com o fito de fomentar a consciência coletiva. Desse modo, para que a citação de Voltaire não seja uma realidade brasileira.