Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 10/08/2020

De acordo com dados do Hospital Israelita Albert Einstein, cerca de 150 mil novos casos de autismo são registrados a cada ano no Brasil. No entanto, pode-se perceber a insuficiência do sistema de ensino no país em relação à inclusão de alunos autistas nas escolas. Essa problemática se dá, principalmente, pela falta de preparo por parte dos profissionais de educação, especialmente no que tange às peculiaridades da doença, assim como a falta de metodologias próprias de ensino para as crianças autistas da rede pública.

Em primeira análise, é importante ressaltar que o autismo pode se apresentar de diferentes maneiras em um indivíduo. Segundo o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos, o autismo pode se manifestar de uma forma leve, onde o indivíduo apresenta grande proatividade e interação, ou de uma forma mais complexa, quando o portador tende a não socializar com as outras pessoas. No âmbito escolar, esse problema ganha grandes proporções à medida que os professores, em sua maioria, não são treinados ou especializados para lidar com as manifestações dessa doença em sala.

Além do mais, a metodologia de ensino adotada no Brasil, impossibilita que professores possam tratar o autismo nas escolas de uma forma mais singular. Em muitas salas de aula do país, profissionais têm que dividir a sua atenção em classes com mais de 30 alunos, dificultando a percepção e as necessidades pedagógicas desses alunos. Além disso, a precariedade das instituições de ensino e uma matriz curricular não inclusiva, agravam ainda mais a problemática.

Em síntese, pode-se perceber que a inclusão de alunos autistas na rede pública de ensino, ainda é um grande desafio. No entanto, o governo, através do Ministério da Educação e das Secretarias de Educação municipais, com a finalidade de adequar a rede pública de ensino aos autistas, deve oferecer assistência profissional, com o auxílio de psicólogos, pedagogos e assistentes sociais, para os professores e profissionais da educação, para que eles possam, de maneira mais adequada, lidar com os alunos portadores dessa necessidade. Deve haver também uma adequação da matriz pedagógica das escolas, incluindo atividades como jogos e brincadeiras lúdicas e em grupo, como objetivo de socializar e, principalmente, incluir as crianças autistas em meio ao grupo, para que elas desenvolvam a sua capacidade de socialização e percepção de mundo.