Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 17/07/2020
Na série " The Good Doctor", o Dr. Shaun–médico portador do espectro autista – luta diariamente com as dificuldades advindas da convivência dele com a sociedade, sobretudo em seu ambiente de trabalho. Fora da ficção, o Brasil hodierno passa por uma conjuntura envolvendo a questão da inclusão de pessoas com autismo, fato que se deve à postura preconceituosa do corpo social e à ineficiência do estado. Logo, é fundamental analisar ambos os problemas a fim de que se possa contorná-los.
Em primeiro lugar, é indubitável que o preconceito constitui um dos entraves para inserção dessas pessoas no meio social. Dessa forma, de acordo com o portal de notícias G1, o número de alunos autistas em escolas comuns cresceu 37% entre 2017 e 2018. Tal estatística corrobora para uma falsa sensação de progresso, uma vez que considera apenas a presença desses alunos em sala de aula é não a inclusão e adaptação dos conteúdos e atividades ao processo de aprendizagem de cada estudante. Nesse contexto, indivíduos portadores do espectro autista( TEA) são frequentementes excluídos do convívio social, especialmente nas escolas, em virtude das diferenças inerentes aos portadores dessa síndrome. Desse modo, é imprescindível uma mudança de comportamento da população para alterar esse cenário.
Outrossim, é válido destacar que a inércia governamental, relacionada à inclusão das pessoas com TEA, contribui para o entrave. Diante desse cenário, segundo Thomas Hobbes, filósofo contratualista, é dever do estado promove o bem estar da população, uma vez que a massa social cede sua liberdade a esse. Contudo, é notório o rompimento desse contrato, uma vez que, ao analisar as condições excludentes às quais os indivíduos com autismo estão inseridos, principalmente no ambiente escolar, no qual a maioria não é contemplada com profissionais especializados para lidarem com os mesmos. Dessa maneira, a ineficiência do estado promove a permanência dessa nefasta situação, afastando-sedo bem estar definido por Hobbes.
Entende-se, portanto, que o preconceito acerca do transtorno, aliada à inobservância governamental, é responsável pela falta de inclusão de pessoas com autismo no país. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação(MEC) criar e implementar um plano individual e flexível de aprendizagem nas escolas –respaldado pela supervisão e colaboração de Psicólogos, Assistentes sociais, pais e corpo docente – a fim de conhecer as especificidades de cada aluno e aperfeiçoar o processo de aprendizagem, gerando assim maior inserção e potencialização de resultados a longo prazo. Ademais, o Governo Federal em parceria com a mídia deve realizar campanhas com conteúdos educativos a respeito do TEA ,através de comerciais, jornais e propagandas, tendo em vista a formação cidadã respaldada pelo saber e com desenvolvimento da empatia, para possibilitar a compreensão, respeito e aceitação de tal condição.