Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 16/07/2020

Na série " The Good Doctor", o Dr. Shaun– médico portador do transtorno do espectro autista – luta diariamente  com as dificuldades advindas da convivência dele com a sociedade, sobretudo em seu ambiente de trabalho. Fora da ficção, o Brasil, hodierno passa por uma conjuntura envolvendo a questão da inclusão de pessoas com autismo, fato que se deve à postura preconceituosa do corpo social e à ineficiência do estado. Logo, é fundamental analisar ambos os problemas, afim de que se possa contorná-los.

Em primeiro lugar, é indubitável que o preconceito constituí um dos entraves para inserção dessas pessoas no meio social. Dessa forma, de acordo com a teoria da coesão social do sociólogo francês Emilie Durkheim, à sociedade pune aqueles que são diferentes do padrão. Nesse contexto, indivíduos portadores do espectro autista (TEA) são frequentemente excluídos do convívio social, especialmente nas escolas, em virtude das diferenças inerentes aos portadores dessa síndrome. Assim, tal panorama deturpa o ideal constitucional de igualdade, uma vez que pessoas com TEA são tratadas de forma díspar, mesmo possuindo, em tese, direitos iguais. Desse modo, é imprescindível uma mudança de comportamento da população para alterar esse cenário.

Outrossim, é válido destacar que a inércia governamental, relacionada à inclusão das pessoas com TEA,  contribuem para o entrave. Diante desse cenário, segundo Thomas Hobbes, filósofo contratualista, é dever do Estado promover o bem estar da população, uma vez que a a massa social cede sua liberdade a esse. Contudo, é notório o rompimento desse contrato, uma vez que ao analisar as condições excludentes as quais os indivíduos com autismo, estão inseridos, principalmente no ambiente escolar, no qual a maioria não é contemplada com profissionais especializados para lidarem com os mesmos. Dessa maneira, a ineficiência do estado promove a permanência dessa nefasta situação , afastando-se do bem estar social definido por Hobbes.

Entende-se, portanto, que o preconceito acerca do transtorno, aliada à inobservância governamental, é responsável pela falta de inclusão de pessoas com autismo no país. À vista disso, cabe ao Ministério da Educação(MEC), criar e implementar um plano individual e flexível de aprendizagem nas escolas– respaldado pela supervisão e colaboração de Psicólogos, Assistentes sociais, país e corpo docente– a fim de conhecer as especificidades de cada aluno e aperfeiçoar o processo de aprendizagem,  gerando assim maior inserção e potencialização de resultados a longo prazo. Ademais, o Governo Federal em parceria com a mídia deve realizar campanhas através de comerciais, jornais e propagandas, tendo em vista a formação cidadã respaldada pelo saber e com desenvolvimento da empatia, para possibilitar a compreensão, respeito e aceitação de tal condição na sociedade.