Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 30/07/2020
Na autobiografia “Olhe nos meu olhos”, o autor John Robison narra a sua vida com a Síndrome de Asperger (SA). Responsável pelos efeitos especiais e luminosos dos shows da banda Norte Americana Kiss, John passou a vida sendo criticado por seu jeito introvertido e por não encarar as pessoas. Tais características eram resultado da SA, transtorno que seria tardiamente descoberto. Hodiernamente, sabe-se que essa Síndrome, juntamente com o Autismo constituem o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a qual atinge milhares de crianças no mundo, mas graças aos inúmeros estudos sobre essa deficiência seu diagnostico e tratamento evoluíram acentuadamente. Logo, é fundamental compreender os aspectos desse distúrbio e o papel da escola na melhor inclusão dos autistas na sociedade.
Mormente, é importante ressaltar que o TEA é considerado um transtorno global do desenvolvimento que atinge principalmente as capacidades sociocomunicativas. Por conseguinte, as pessoas afetadas por essa deficiência apresentam grandes dificuldades em se comunicar, estabelecer interações sociais e contato visual, possuem comportamento excêntrico e repetitivo e são extremamente apegadas à rotina. Ademais, esse transtorno pode se apresentar de diferentes formas, que vão desde leves até as mais graves, sendo que comumente os autistas na forma mais leve apresentam super-habilidades em determinada área, graças ao seu poder de foco e repetitividade.
Embora, a ciência tenha avançado muito no estudo do Autismo, incluir essas pessoas na sociedade segue sendo um desafio. Para que haja uma inclusão efetiva é necessário que as pessoas entendam do que se trata esse transtorno e como agir frente a um autista. Logo, a escola apresenta papel fundamental nessa integração, pois é nesse ambiente que as crianças vivenciam as primeiras interações sociais fora do contexto familiar. Para Paulo Freire, a inclusão só é verdadeira quando se aprende com as diferenças, portanto os professores precisam estar plenamente capacitados para lidar com essas diferenças e apresentá-las as demais crianças, pois é através da escola que a sociedade passa a adquirir novos hábitos e a quebrar paradigmas.
Enfim, ainda há muitos entraves na inclusão do autista na sociedade e o Estado precisa atuar de forma operante na resolução desse problema. Destarte, o Ministério da Saúde e as mídias sociais deveriam criar campanhas educativas que visem esclarecer o que é o TEA, como suas formas e características, a fim de desmitificar esse transtorno para a sociedade. Ainda, o Ministério da Educação deveria criar um curso de capacitação contínua para professores da rede pública de ensino sobre a inclusão de autistas nas escolas, assim esses profissionais estariam aptos a lidar com esses alunos especiais. Somente desta forma, a realidade dos autistas seria diferente da relatada por J. Robison.