Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 11/07/2020
O Brasil carrega uma herança vergonhosa e desconhecida, o antigo Hospital Colônia, em Minas Gerais, onde crianças com alguma deficiência eram despejadas pelos pais. Atualmente, tal barbárie não é uma realidade, mas o preconceito contra essa minoria prevalece. Em razão disso, portadores de deficiências, especificamente os autistas, passam por inúmeros desafios para serem inclusos na sociedade, o que pressupõe uma análise acerca dos pontos que levam a essa problemática.
Em primeira análise, um entrave é o pouco conhecimento acerca do TEA, Transtorno do Espectro do Autismo, por parte da população. De fato, pouco se sabe sobre autismo, tendo em vista o precário debate em instituições sociais, como na família e escola, e a maneira como as pessoas lidam com os portadores de TEA, com total falta de preparo. Essa realidade vai contra a visão do pensador F. Bacon, o qual defende que o conhecimento é uma arma poderosa, ou seja, entende-se que a inclusão dos autistas na sociedade é possível através do saber. Sendo assim, um povo carente de conhecimento sobre o autismo não está apto a trabalhar a inclusão dessa minoria.
Em segunda análise, além da ignorância social supracitada, a falta de espaços inclusivos também provoca a má inserção dos autistas na vida social. Prova disso são as entrevistas de emprego, as quais contam a comunicação como fator primordial para a vaga de trabalho. Porém, o espectro do autismo afeta as habilidades de comunicação. Outrossim, são nítidas as falhas na estrutura educacional brasileira, em que há a necessidade de uma educação inclusiva.
Diante disso, para inserir os portadores de autismo no âmbito social brasileiro, o Ministério da Saúde deve promover – na TV, rádio e internet – campanhas midiáticas de conscientização sobre o TEA, a fim de romper as barreiras da desinformação. Ademais, as escolas e empresas devem promover espaços inclusivos, com acompanhamento terapêutico e tratamentos especiais para autistas, com o objetivo de alcançar a igualdade e desmitificar a meritocracia, distanciando-se, assim, da realidade excludente do Hospital Colônia.