Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 01/07/2020
Ao final do século XIX na literatura brasileira, Machado de Assis já retratava a discriminação de pessoas com deficiência, na sua obra realista Memórias Póstumas de Brás Cubas, cujo personagem principal se apaixona por uma mulher “coxa”, mas não se casa com ela devido a sua deficiência. Atualmente, muitos indivíduos com transtornos neurológicos também sofrem discriminação e exclusão social no Brasil, como as pessoas com autismo, que encontram na falta de informações sobre a condição e a dificuldade ao acesso à educação obstáculos para integração plena na sociedade.
Primeiramente é necessário destacar o quanto é prejudicial a desinformação e o estereótipo sobre o espectro autista. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, cerca de 2 milhões de brasileiros têm algum tipo de autismo, mas, apesar de a incidência e dos avanços científicos nas últimas décadas, ainda existe muitas incertezas sobre o transtorno. Muitas pessoas associam o autismo somente a casos severos e desconhecem que existem níveis e formas de manifestação do autismo, pois a falta de informações adequadas e acessíveis – o assunto não é tratado nas mídias sociais- induz a alienação sobre o assunto e consequentemente causa receio nas pessoas.
Por conseguinte, é preciso destacar o problema da falta de preparação dos educadores para inclusão das pessoas com autismo na vida escolar. A falta de preparação docente específica para lidar com crianças com o transtorno é um entrave na educação de autistas, pois sem as devidas orientações essas crianças não conseguem se inserir no ambiente escolar. Segundo Aristóteles, o homem é um ser social e a vida em sociedade é essencial para a sua realização pessoal e busca pela felicidade. Sendo assim, é necessária a inclusão de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista nas escolas, para estimular sua integração na sociedade e desenvolvimento pessoal.
Portanto, infere-se a necessidade da difusão do conhecimento sobre o autismo e consequentemente a capacitação de profissionais para atuar na área. Sendo assim, o Ministério da Educação(MEC), responsável por todas políticas de educação do Brasil, em parceria com o Ministério da Saúde, deve promover campanhas através das redes sociais e tv, para divulgar as informações existentes sobre o transtorno, a fim de informar e orientar corretamente a população a respeito do autismo. Além disso, o MEC deve fornecer qualificação profissional específica para os educadores, por meio de cursos e seminários com psicólogos e psiquiatras a fim de capacita-los para atuar na educação de pessoas com autismo.