Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 28/05/2020

Na Grécia Antiga, a sociedade venerava a estrutura corporal e a forma de pensar dos filósofos. No entanto, pessoas com deficiências físicas ou mentais eram descritas como “fracas” ou “incompletas” e, por conta disso, eram marginalizadas pela população. Contemporaneamente, é fato que o Brasil ainda enfrenta grandes desafios na inclusão de pessoas com autismo que, infelizmente, geram dificuldades na inserção de jovens no ensino regular e no mercado de trabalho.

Em primeiro lugar, é válido lembrar que o TEA (Transtorno do Espectro Autista) é pouco conhecido pela sociedade, o que aumenta os casos de preconceito, principalmente, no ambiente escolar. Nesse viés, cabe citar a série “Atypical”, produzida pela Netflix, que relata a vida de um estudante autista. O jovem, além das dificuldades de adaptação, sofre descriminação por outros alunos que, constantemente, praticam ofensas contra o garoto. Fora da ficção, é evidente que essa parcela da população sofre rejeição por pessoas que, desinformadas, desprezam os portadores de autismo, impossibilitando, assim, a permanência desses adolescentes nas escolas e nas universidades.

Em segundo lugar, é importante destacar que somente em 2019 foi sancionada a lei que prevê a inclusão de pesquisas sobre o TEA no censo do IBGE, o que causa uma falta de dados sobre esse grupo. Apesar da inexistência de informação, a revista Época Negócios, publicada pela editora Globo, estima que cerca de 85% das pessoas no espectro autista estão excluídas do mundo do trabalho. Nessa perspectiva, é nítido que, mesmo com leis que garantem o direito de autistas de ingressarem no mercado de trabalho, faltam políticas públicas eficazes para isso ser uma realidade nacional.

Portanto, é incontestável que medidas precisam ser tomadas para que todos os desafios enfrentados por autistas sejam resolvidos. Para isso, é preciso que o Ministério da Educação crie projetos voltados ao ensino fundamental e médio da rede pública, contratando psicólogos para palestrarem sobre o espectro autista e a importância da inclusão dessas pessoas dentro e fora do ambiente escolar. Além disso, o Governo Federal também deve sancionar leis de reservas de vagas voltadas aos portadores de TEA em concursos públicos e grandes empresas, que deverão ser averiguados com laudos médicos. Somente assim, essa parcela da população será realmente incluída na sociedade brasileira.