Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 29/05/2020

A trama costurada pela série ‘‘The Good Doctor’’, narra a história de um jovem médico renomado, mas que sofre para se relacionar com as pessoas ao seu redor, devido ao seu quadro de autismo. Tal narrativa flerta diretamente com a realidade de indivíduos autistas e coloca luz sobre as dificuldades enfrentadas por eles. Logo,essa discussão se torna pertinente tendo em vista a discriminação sofrida por essa parcela da população. Isso decorre, principalmente, da falta de informação sobre o tema, o que pode provocar intolerância por parte de cidadãos que não possuem o conhecimento necessário sobre a síndrome. Portanto, medidas interventivas se fazem necessárias.

Em primeira análise, é válido pontuar que a falta de informação sobre o autismo é uma das principais causas da discriminação sofrida por estes indivíduos. Nesse contexto, é importante destacar que apenas em 1993, a OMS (Organização Mundial da Saúde) acrescentou o Transtorno do Espectro Autista (TEA) à Classificação Internacional de Doenças. Tal perspectiva demonstra que a busca por respostas sobre esta síndrome, que possui difícil diagnóstico, ainda é algo recente. Assim, evidencia-se que ao não elucidar as informações sobre a doença, abre-se espaço para o preconceito e outros obstáculos.

O desafio da desinformação sobre esse tema desencadeia uma série de consequências, dentre elas está o preconceito, que dificulta o bem-estar daqueles que vivem com a síndrome. Nesse viés, é vital salientar que, segundo o Estatuto da Pessoa com Deficiência de 2015, no qual aqueles com autismo estão inclusos, a discriminação contra deficientes é crime. Diante disso, torna-se evidente que apesar da lei, teoricamente garantir que pessoas com TEA não sofram segregação, tal medida não é bem executada, o que agrava a situação e diminui a qualidade de vida não só de autistas, mas também de outros indivíduos com deficiência.

Conclui-se que é de suma importância discutir sobre a realidade dos autistas no Brasil e buscar maneiras de melhorar a situação atual. Portanto, é perceptível que soluções se fazem necessárias. Nessa ótica, cabe ao Ministério da Educação, por meio de palestras itinerantes, educar a população sobre os fatores que envolvem o TEA e a forma correta de prosseguir ao lidar com um autista. Tal providência teria o intuito de informar a comunidade sobre esta pauta. Além disso, o Ministério dos Direitos Humanos deve, por intermédio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, intensificar as medidas contra a discriminação, por exemplo, aumentar a pena para este crime. Com isso, espera-se inibir este tipo de ato e tentar conquistar uma sociedade mais inclusiva.