Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil

Enviada em 22/05/2020

Embora, o Brasil seja um país laico, miscigenado e constituído por uma mistura de culturas, formou-se ao longo dos séculos uma sociedade altamente preconceituosa e excludente, na qual as minorias sofrem com a falta de assistencialismo. De fato, os autistas são exemplos dessa problemática, que é agravada pelo pouco conhecimento sobre a síndrome. Logo, nesse contexto, torna-se um desafio favorecer a inclusão do autista no Brasil.

É imprescindível, a priori, salientar que a falta de assistencialismo é um dos principais obstáculos enfrentados pelos autistas no país. Com efeito, estima-se que, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o Brasil possua cerca de 2 milhões de autistas, evidenciando à necessidade de melhores políticas direcionadas a esse público. Isso, será facilitado com a elaboração do censo de 2020, que inclui o autismo nas pesquisas do Instituo Brasileiro de Geografia e estatística (IBGE), por meio do projeto de lei sancionado pelo presidente Jair Bolsonaro. Dessa forma, será possível identificar, com mais precisão, as demandas por assistência a saúde, educação e infraestrutura em cada região do país. Além disso, o acesso a mais informações favorece o engajamento da sociedade e, por conseguinte, o assistencialismo e inclusão social.

Vale acrescentar, também, que para promover a inclusão social do autista é fundamental mudar a forma preconceituosa pela qual a síndrome é vista pela sociedade. Sem dúvida, a série, “The Good Douctor”, mostra que, apesar de algumas limitações, sobretudo, na interação pessoal, os autistas são pessoas inteligentes, humanas e capazes de efetuarem qualquer função. Logo, as instituições educacionais e as mídias têm importância pontual na mudança de mentalidade e propagação do conhecimento sobre o assunto e dos possíveis caminhos para se mudar o panorama atual. De fato, as escolas e postos de saúde, por exemplo, precisam oferecer profissionais capacitados e infraestrutura adequada para essa demanda, o que obviamente não acontece, sendo os setores públicos os piores.

É evidente, portanto, a necessidade do enfrentamento dos obstáculos que impedem a inclusão de pessoas com autismo. Para isso, é imperativo que os Ministério da Saúde e Educação invistam em projetos de conscientização, por meio de palestras com toda comunidade escolar e agentes comunitários de saúde, ao efetuarem as visitas em domicílio, com a finalidade de esclarecer sobre a síndrome e como cada indivíduo pode ajudar nesse processo. Ademais, os investimentos também devem ser direcionados para melhorar a infraestrutura ligada ao assistencialismo direto desse público, como as escolas e unidades de saúde. Dessa forma, será possível gerar um sentimento de igualdade, responsabilidade e inclusão social.