Os desafios da inclusão de pessoas com autismo no Brasil
Enviada em 15/10/2019
Na série telesiva, “The Good Doctor - O Bom Doutor” é retratado o cotidiano utópico de um jovem médico com autismo que começa a trabalhar em um famoso hospital. Nesse viés, além dos desafios da profissão, o protagonista Shaun Murphy precisa provar sua capacidade a seus colegas e superiores. Fora do universo ficcional, é evidente que muitos indivíduos com transtornos neuropsiquiátricos também sofrem preconceito e enfrentam dificuldades para a inclusão social. Logo, entre os fatores contribuem para solidificar esse quadro destacam-se a desinformação acerca do autismo bem como a infraestrutura deficitária da educação público.
A priori, é evidente que a falta de informação sobre o TEA (Transtorno do Espectro Autista) acarreta um ambiente letárgico à assistência oferecida aos portadores. Destarte alguns avanços na área científica, pouco se sabe sobre essa condição, sendo assim ocorre uma alienação sobre o assunto. Análogo ao exposto, apesar do psiquiatra austríaco Leo Kanner ter formulado o termo “autismo” em 1943 -após observar crianças e seus comportamentos- ainda há lacunas de conhecimentos dos variados graus que afeta os indivíduos. Consequentemente, semelhante a “The Good Doctor”, a ausência de diagnóstico prematuro reflete dificuldades sociais e no mercado de trabalho
Sob outro ângulo, nota-se que o suporte e ensino oferecido aos portadores de TEA são, muitas vezes, inadequados. Por conseguinte, de acordo com o capítulo V da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LBD), o ingresso de uma criança autista em escola regular é um direito garantido por lei. No entanto, na prática somente 30% dos brasileiros neuropsiquiátricos frequentam uma instituição de ensino, pois os direitos legislativos são, comumente, negligenciados. Desse modo, a ausência de infraestrutura e profissionais especializados contribui para que parcelas consideráveis da população se posicionem de maneira indiferente à essa realidade.
Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos administrativos e manutenção do ensino público, deve adotar estratégias acerca da falta de conhecimento populacional acerca do autismo a fim de construir um cenário de inclusão. Essa ação pode ser feita por meio de palestras e simpósios os quais elucidem as dúvidas e exponham a importância do respeito e assistência os portadores do TEA. Além disso, cursos profissionalizantes tanto para os neuro diversos como para professores são essenciais, uma vez que trará -respectivamente- mais oportunidades no mercado de trabalho e melhor preparo . Ademais, é necessário investir mais subsídios à infraestrutura voltada ao público do espectro para que os direitos constitucionais sejam preservados e a inserção ao corpo social garantida. Por fim, os “shauns” sejam tratados com equidade e o respeito estabelecido